Quem visita o Pântano do Sul, bairro de tradições açorianas no Sul da Ilha, em Florianópolis, tem o Bar do Arante como parada obrigatória. O local atrai visitantes de diversas partes do país e do mundo há mais de cinco décadas em busca da culinária típica da região e dos famosos “bilhetinhos” que tomam conta das paredes.
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Arante José Monteiro Filho, o Arantinho, é filho de Seu Arante, que fundou o estabelecimento, ainda em 1958, inicialmente como uma “vendinha”. Depois, o local evoluiu para um bar e virou um restaurante, se consolidando no formato atual na década de 1970, quando a região passou a receber um maior fluxo de turistas.
— Se formou mesmo como bar e restaurante a partir da década de 70, quando começaram a aparecer aqui os turistas, que vinham aqui pro Sul da Ilha, tanto as pessoas aqui da nossa cidade, que não conheciam o Sul da Ilha, quanto pessoas que vinham de Porto Alegre, São Paulo e de outros estados, e depois até de outros países — relembra.
Como é o Bar do Arante
Como os bilhetes surgiram
Ele conta que foi também nessa época que os bilhetinhos surgiram. Nesse tempo, o estilo de turismo na região era especialmente de acampamento. Atraídos pelas praias preservadas, muitos estudantes montavam na região suas barracas, em uma época em que a prática era permitida. Tempo em que o telefone ainda não existia, e por isso os bilhetes eram usados como forma de comunicação.
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— Eles vinham acampar e aqui não tinha estrada direito, aqui não tinha telefone. Então eles já sabiam que vinham outras pessoas depois, também procurar por eles, procurar onde eles estavam acampando. Vinha o namorado, vinha a namorada, vinha o pai, vinha a mãe. Então eles queriam fazer um bilhetinho para dizer onde é que estavam acampados, para o meu pai botar na gaveta, porque ia vir alguém depois procurar — explica Arantinho.
Assim, o Bar do Arante se tornou ponto de referência entre viajantes, que passavam por ali para deixar bilhetinhos ou procurar por recados de amigos, familiares e cônjuges. A famosa “cachacinha” da casa, oferecida até hoje como cortesia, também embalou muitos recados e fez com que clientes transformassem papel e caneta em poesia.
— Depois da primeira cachacinha, todo mundo vira poeta. Não adianta. Hoje tem bilhete pela parede toda. Tem gente que vai procurar o bilhete que fez ano passado, que fez 10 anos atrás — conta Arantinho.
Bilhetes se tornaram parte da história do bar
O morador do Pântano do Sul revela que retiram das paredes os bilhetes que ficam pretos por conta da umidade, mas que guardam todos aqueles que caem no chão. Os recados são guardados em sacos, que ficam armazenados na casa de Arantinho.
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Filho do seu Arante, que junto com a esposa, Osmarina Maria Monteiro, fundou o restaurante, Arantinho tocou o negócio familiar por muitos anos com os irmãos. Há cerca de dois anos, já não atua diretamente no negócio, mas conta que está sempre por lá, circulando entre os clientes e dando opinião.
Raízes no Sul da Ilha
Arantinho conta que os antepassados, de origem açoriana, chegaram principalmente no Ribeirão da Ilha, e dali se espalharam pelo Sul da Capital. A sua família ficou na praia do Pântano do Sul, onde até hoje reside. O sobrenome, Monteiro, tem origem na Ilha Terceira, nos Açores.
A pesca também desempenha papel importante na família. O avô de Arantinho era de Governador Celso Ramos, e veio para a região em 1900 para pescar. Por ali se casou e ficou, e a tradição da pesca foi passada a diante. Hoje, Armando Monteiro, irmão de Arantinho, é pescador profissional, e abastece o restaurante familiar com o pescado capturado na região.
Ao longo do tempo, Arantinho esteve presente como forte liderança da comunidade, e lutou com conquistas como a chegada do telefone, do asfalto, e melhorias na infraestrutura. Hoje, afirma que a maior batalha é pelo esgoto, para que as praias do Sul da Ilha, que chama de “galinha dos ovos de ouro”, não fiquem poluídas.
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Arantinho defende o crescimento e desenvolvimento do Pântano do Sul, especialmente através da melhora da infraestrutura, porém sem perder a característica própria do bairro, da colonização açoriana, do jeito manezinho e da natureza preservada.
— A gente não quer um turismo de massa, nem construir prédios. Nós queremos que o turista venha, mas para conviver harmonicamente com o que já existe, com nós, que já existimos. Nós não precisamos ser expulsos aqui para dar lugar exclusivamente ao turismo, como aconteceu em muitas praias daqui de Florianópolis — destaca.
O que comer no Bar do Arante
Além dos tradicionais bilhetinhos, o restaurante se destaca pela gastronomia típica manezinha, servindo frutos do mar. O peixe com pirão é o carro chefe, seja o peixe frito, assado na brasa, o caldo de peixe, ou em diferentes preparos.
Como chegar no Bar do Arante
O restaurante fica localizado na Rua Abelardo Otacílio Gomes, número 254, no Pântano do Sul, em frente à praia. Saindo do Centro, é possível chegar seguindo pela SC-401 Sul, e depois a SC-405 e a SC-406, passando pelo Mirante do Morro das Pedras e pela Praia da Armação, até chegar chegar no bairro.
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De ônibus, é possível pegar a linha 430 no Ticen, até o Tirio, e depois a linha 563 Costa de Dentro, e descer na Rodovia Francisco Thomaz dos Santos, a quatro minutos a pé do restaurante. Outra opção é a linha executiva que leva até o Pântano do Sul, a 4125.





