*Kenneth Chang

Em 2015, os alunos de Maggie Samudio, do 2º ano da Escola de Ensino Fundamental Cumberland em West Lafayette, no estado de Indiana, nos Estados Unidos, estavam debruçados sobre uma questão científica incomum: se um vaga-lume fosse enviado ao espaço, ele seria capaz de brilhar enquanto flutuava em gravidade zero?

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Samudio disse que faria a pergunta a um amigo seu, Steven Collicott, professor aeroespacial da Universidade Purdue. “Ele dá aulas sobre gravidade zero e seria a pessoa perfeita para nos dar a resposta”, lembrou Samudio por e-mail.

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No dia seguinte, Collicott respondeu, e Samudio ficou surpresa com a resposta: em vez de tentar adivinhar, por que não construir um experimento e enviá-lo ao espaço?

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A Blue Origin, a empresa de foguetes fundada por Jeff Bezos, principal executivo da Amazon, estava planejando oferecer a escolas a oportunidade de lançarem pequenos experimentos em sua nave suborbital New Shepard por apenas US$ 8 mil.

“Isso muda o jogo. Crianças a partir do ensino fundamental estão tendo a oportunidade de enviar coisas ao espaço”, observou Erika Wagner, diretora de vendas de carga da Blue Origin.

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Collicott, que já havia enviado vários experimentos de fluxo de fluidos em lançamentos da New Shepard, indicou o caminho da Blue Origin para Samudio e seus alunos do 2º ano.

“Podemos enviar uma pequena carga de dez centímetros quadrados por 20 centímetros de altura pela metade do custo dos uniformes de futebol americano do ensino médio, ou seja, qualquer distrito escolar que pode bancar um time de futebol agora também pode arcar com um voo espacial”, explicou Collicott.

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A Cumberland não foi a única escola a colocar um experimento a bordo da New Shepard. Uma escola de ensino fundamental Montessori no Colorado enviou um pacote de sensores projetado e programado pelos alunos. Uma escola de ensino médio do Alabama lançou um experimento para testar as flutuações de temperatura na microgravidade. E, em dezembro passado, outra escola de ensino fundamental em Ohio enviou filhotes de água-viva.

A bordo do último voo, cujo lançamento foi efetuado na última terça-feira, estavam 1,2 milhão de sementes de tomate, que serão distribuídas a alunos em 15 mil salas de aula, da educação infantil ao ensino médio, nos Estados Unidos e no Canadá.

Estudante Hannah Hodgson da Purdue University, com o experimento do vaga-lume em mãos
Estudante Hannah Hodgson da Purdue University, com o experimento do vaga-lume em mãos (Foto: Steven Collicott via The New York Times)

Seguindo a sugestão de Collicott, os alunos de Samudio da Escola Cumberland começaram a trabalhar em colaboração com os alunos da Purdue nas aulas de Collicott.

“Durante dois anos, recebi engenheiros aeronáuticos em minha sala de aula do 2º ano para ministrar miniaulas sobre os princípios básicos do voo e da propulsão, bem como sobre os princípios básicos da química do ‘vaga-lume'”, disse Samudio.

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Em 12 de dezembro de 2017, o experimento do vaga-lume estava a bordo da New Shepard. Não continha nenhum vaga-lume de verdade. “Parece que, quando ficam assustados, os vaga-lumes não brilham. E temíamos que o impulso pudesse assustá-los. E também há o fato de que não sei como manter vaga-lumes vivos e felizes”, informou Collicott.

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Em vez disso, o aparelho reproduziu a química de como os vaga-lumes geram luz, com seringas misturando as substâncias que geram o brilho enquanto a cápsula alcançava o topo da trajetória, mais de cem quilômetros acima do oeste do Texas. Uma pequena câmera de vídeo registrou o que aconteceu na caixa.

Collicott presenciou o lançamento e, dois dias depois, estava de volta à sala de aula de Samudio para apresentar os resultados.

Os vaga-lumes realmente podem brilhar no espaço. “Esse tipo de reviravolta é simplesmente incrível; o voo espacial não está distante desses estudantes. Acontece rápido. E é bem legal”, comentou Collicott.

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O experimento espacial envolveu um projeto maior realizado pelas turmas para as quais Samudio dá aulas. Uma de suas alunas, Kayla Xu, havia notado, com tristeza, que a maioria dos estados tinha um inseto próprio, e Indiana não. Ela queria consertar aquilo.

E tal esforço também deu certo. Em 23 de março de 2018, o governador Eric Holcomb foi à Escola Cumberland para assinar um projeto de lei que declarava o vaga-lume Say, uma espécie nativa da região, o inseto do estado de Indiana.

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“Vários pais comentaram comigo que o simples ato de perguntar aos filhos o que eles tinham feito na escola naquele dia resultou em incríveis conversas em família, leituras e pesquisas extras, e a contemplação de futuras buscas e objetivos pessoais”, comemorou Samudio.

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