Motoristas das categorias A e B, que são condutores de moto ou carro, agora precisam apresentar exame toxicológico negativo para obter a primeira habilitação. Essa exigência era restrita às categorias C, D e E, mas a regra mudou em dezembro de 2025, após o Congresso derrubar quatro vetos à Lei 15.153, de 2025, que altera o Código de Trânsito Brasileiro.

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Segundo informações do g1, o principal medicamento que pode levar à reprovação é o mazindol, um emagrecedor com efeito estimulante. Além dele, a morfina, analgésico usado para tratar dores intensas, e a codeína, presente em xaropes para tosse e alguns analgésicos, podem resultar na reprovação dos condutores no exame toxicológico, conforme o Conselho Nacional de Trânsito (Conatran).

A especialista Aryadyne Bueno, ouvida pelo g1, orienta que as pessoas informem o laboratório sobre o uso de medicamentos e apresentem prescrição médica. No entanto, ainda assim o resultado tende a ser considerado positivo, porque essas substâncias estão entre as monitoradas pelo Contran e pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Veja as substâncias que podem resultar em reprovação no exame toxicológico

Entre 2021 e 2025, de acordo com a Senatran, foram realizados quase 18,5 milhões de exames toxicológicos em condutores. Em 223 mil testes o resultado foi positivo, o que equivale a 1,2%.

A cocaína lidera a lista de substâncias mais detectadas nesses exames entre 2021 e 2025, feitos com condutores das categorias C, D e E, apontam dados da Senatran. O consumo de álcool não causa reprovação no exame. Confira as substâncias que podem causar reprovação:

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  • Anfetaminas: Rebite, Ecstasy (MDMA) e Bolinha
  • Canabinoides: Maconha, Haxixe, Skunk
  • Opiáceos e Opioides: Morfina, Codeína, Heróina, Ópio bruto e Oxicodona
  • Cocaína: Cocaína, Crack, Bazuca
  • Outros: Mazindol (remédio para emagrecimento)

Como é feito o exame toxicológico?

Clínicas de aptidão física e mental, além de laboratórios estão autorizadas a realizar coletas para o exame, conforme a nova lei. Esses locais precisam estar credenciados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Amostras de cabelo, pelos ou unhas são usadas no exame toxicológico. O teste identifica o consumo das substâncias nos últimos 90 a 180 dias.

O exame é válido por 90 dias a partir da coleta. De acordo com a Associação Brasileira de Toxicologia (Abtox), o teste custa entre R$ 110 e R$ 250, com prazo médio de até 10 dias úteis para o resultado.

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Em 2026, com a nova regra, devem devem ser realizados até 2 milhões de novos exames, de acordo com uma estimativa do Chromatox, laboratório de exames toxicológicos credenciado pela Senatran. Isso corresponde ao crescimento de mais de um terço em relação ao período antes da vigência da lei.

*Sob supervisão de Luana Amorim

**Com informações do g1