Os 5% mais ricos entre os brasileiros passaram a controlar 39,9% de toda a renda do país ao final de 2022. Cinco anos antes, eles detinham 36,5%. O cenário foi identificado por estudo recém-publicado pelo Observatório de Política Fiscal do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

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Com base em declarações de imposto de renda, a pesquisa também identificou que a renda detida pelo top 1% mais rico passou de 20,4% para 23,7% em cinco anos. Já o top 0,1% (o equivalente a cerca de 153 mil pessoas), que antes controlava 9,2% de toda a renda do Brasil, passou a deter 11,9%.

O estudo também mostra que a maioria da população adulta brasileira (95%) teve um crescimento nominal médio de 33% em sua renda no período de cinco anos analisado. Já entre os 15 mil milionários que compõe o 0,01% mais rico, a renda quase dobrou (aumento de 96%).

“O que se vê é que, além dos mais ricos terem, em média, maior crescimento de renda do que a base da pirâmide, a performance é tanto maior quanto maior é o nível de riqueza”, escreve o economista Sérgio Wulff Gobetti, responsável pelo estudo e colaborador do Ibre/FGV.

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O que explica a concentração de renda?

A pesquisa explica ainda que a maior concentração de riqueza se deve, sobretudo, a duas razões: o aumento de lucros e dividendos distribuídos, hoje isentos de tributação; e a renda da atividade rural, sobre a qual também não são cobrados tributos em sua maior parte.

“Em 2022, por exemplo, dos R$ 147 bilhões de renda proveniente da atividade rural, mais de dois terços foi isenta de tributação (R$ 101 bilhões) e nada menos do que 42% desse montante foi parar no bolso do milésimo mais rico da população. Índice de concentração muito parecido ao registrado por lucros e dividendos (44%)”, escreve o autor da pesquisa.

Ele argumenta ainda que essas evidências reforçam a necessidade de serem revistas as isenções tributárias atualmente concedidas pela legislação e que beneficiam especialmente os mais ricos.

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