A escalada das tensões no Oriente Médio, com confrontos diretos que envolvem Israel, Irã e Estados Unidos desde fevereiro de 2026, já provoca impactos relevantes no turismo internacional. Embora os efeitos mais severos estejam concentrados na própria região, especialistas apontam reflexos globais, especialmente no setor aéreo e no planejamento de viagens.
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O conflito teve início no fim de fevereiro, após ataques a instalações nucleares iranianas, seguidos por retaliações com mísseis e bombardeios em diferentes pontos do Oriente Médio. A intensificação dos confrontos elevou o nível de insegurança em países como Líbano, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, além de provocar o fechamento de espaços aéreos e alterações em rotas internacionais.
A conta da crise: o rombo bilionário no setor
O setor de turismo no Oriente Médio está entre os mais afetados. De acordo com análises citadas pela consultoria Tourism Economics, a região pode registrar uma queda entre 11% e 27% no número de visitantes em 2026, o que representaria uma redução de até 38 milhões de turistas.
As perdas financeiras também são expressivas. Estimativas indicam prejuízos diários que podem chegar a 515 milhões de euros (cerca de R$ 2,8 bilhões), com impacto anual entre 34 bilhões de dólares e 56 bilhões de dólares, o que pode alterar a perspectiva de crescimento do turismo na região.
Companhias aéreas com forte presença no Oriente Médio, como Emirates e Qatar Airways, suspenderam ou redirecionaram voos em determinados momentos, afetando hubs importantes como Dubai e Doha.
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Aeronaves em solo e o redesenho das rotas globais
Os efeitos já se estendem ao sistema aéreo global. Segundo dados divulgados pelo InfoMoney, mais de 23 mil voos foram cancelados desde o início do conflito, o que afeta cerca de 4,4 milhões de assentos em rotas que conectam Europa, Ásia e Oriente Médio.
Esse movimento é apontado como o maior nível de disrupção no setor aéreo desde a pandemia de Covid. Como a região responde por cerca de 14% do tráfego global de conexão, o fechamento de rotas estratégicas tende a gerar impactos diretos na malha aérea internacional.
O novo mapa do turismo: a busca por destinos seguros
Apesar do cenário de incerteza, parte dos viajantes já considera alterar destinos por questões de segurança. Estimativas citadas por veículos internacionais indicam que até 47% dos turistas podem rever seus planos de viagem em 2026.
Ao mesmo tempo, observa-se um redirecionamento do fluxo turístico para outras regiões, como destinos na Europa e no Mediterrâneo, o que ameniza as perdas no setor de turismo internacional. Mesmo com as turbulências, o turismo mundial — avaliado em cerca de 11,7 trilhões de dólares — segue em trajetória de recuperação.
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Especialistas avaliam que os efeitos mais intensos da escalada no Oriente Médio tendem a se concentrar na própria região no curto prazo. Levantamentos do World Travel & Tourism Council (WTTC) indicam que interrupções no transporte aéreo, queda na confiança dos viajantes e problemas de conectividade já afetam diretamente a demanda local, com perdas diárias estimadas em cerca de 600 milhões de dólares.
Na mesma linha, análises da Tourism Economics apontam para uma possível queda entre 11% e 27% nas chegadas internacionais à região em 2026, ante previsão anterior de crescimento de 13%. A revisão representa uma perda estimada de 23 a 38 milhões de visitantes, sem indicação, até o momento, de retração global mais ampla.
Escalada das tensões dita o ritmo da economia
A evolução do conflito segue como fator determinante para o comportamento do setor nos próximos meses. Novas escaladas militares ou o prolongamento das tensões podem ampliar os impactos, não somente sobre o turismo, mas também em outras áreas da economia global.
No curto prazo, o cenário combina perdas relevantes em nível regional com uma reconfiguração do fluxo internacional de viagens. O resultado é um ambiente de elevada incerteza geopolítica, que mantém o setor em alerta e limita previsões mais consistentes sobre a retomada.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.








