A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã completa 20 dias sem sinais de trégua entre os países e com consequências econômicas globais que aumentam à medida em que o conflito escala no Oriente Médio. O principal impacto observado para o Brasil está ligado ao preço dos combustíveis. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) registrou aumento de 10% no diesel em Santa Catarina e de 12,8% desde o início do conflito.

Continua depois da publicidade

O que explica aumento do preço do diesel no Brasil

  • Fechamento do Estreito de Ormuz. O canal marítimo situado entre Irã e Omã é rota de cerca de 20% da produção de petróleo consumido em todo o mundo. A passagem é utilizada por grandes países produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Iraque, e está praticamente fechada pelo governo iraniano desde o início do conflito.
  • Diminuição da produção de petróleo nos países do Oriente Médio. A região também teve outros países envolvidos após o Irã bombardear bases dos EUA nas nações vizinhas, o que afeta a produtividade de petróleo na região.

O principal termômetro ocorre na variação do preço do barril de petróleo no mercado internacional. O produto, que era vendido a cerca de 60 dólares antes do início do conflito, chegou a atingir 120 dólares na semana passada e voltou a este patamar nesta quinta-feira (19), em razão da tensão com a continuidade do conflito.

Veja fotos do conflito no Irã

O principal impacto do conflito no Irã no Brasil até o momento ocorreu no preço do diesel. A pesquisa mais recente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) revelou o preço médio do combustível em R$ 6,69 em Santa Catarina, quase 10% a mais do que a média de R$ 6,11 que o diesel custava antes do conflito. No Brasil, o valor médio atual do diesel é de R$ 6,80, 12,8% a mais do que antes dos ataques.

Continua depois da publicidade

Sindicatos dos postos de SC explicam que a pressão sobre os preços ocorre porque um quinto do combustível consumido no país é importado. Apesar disso, as entidades alegam que não há risco de desabastecimento. Na Grande Florianópolis, por exemplo, o sindicato local dos postos (Sindópolis) divulgou nota afirmando que o abastecimento segue regular.

O cenário atual levaria a um equilíbrio maior nas vendas pelas distribuidoras. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina (SC Petro), a única restrição até o momento é que os pedidos dos donos de postos às distribuidoras devem seguir a média de compra dos últimos meses. Mesmo assim, um temor fez motoristas a formarem filas em alguns postos de SC.

— O principal impacto de curtíssimo prazo é através do petróleo. O petróleo encarecendo internacionalmente, isso vai ser repassado aqui no Brasil. Pelo fato de a gente usar o modal rodoviário em mais de 80% do transporte, toda a cadeia de produtos e serviços acaba sendo afetada — explica o economista Bruno Thiago Tomio, professor da Furb.

Reflexo do diesel no preço de alimentos

Um possível impacto da alta do diesel no transporte sobre os preços dos alimentos e a inflação é citado como eventual “próximo passo” no país. A situação fez o governo Lula zerar os impostos federais PIS e Cofins sobre o preço do diesel. Na sequência, também lançou um subsídio para importadores de derivados de petróleo. Para compensar as perdas, a gestão federal criou um imposto sobre exportação de petróleo e reajustou o preço do diesel — o que desagradou motoristas.

Continua depois da publicidade

Como as medidas até agora não contiveram o preço do diesel, o governo passou a apelar a governadores zerassem o ICMS, imposto de abrangência estadual, do diesel. A reação, no entanto, foi contrária. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) rejeitou a ideia porque prejudicaria políticas públicas e porque as baixas “não costumam ser repassadas ao consumidor final”.

Questionado sobre o tema, o governo de SC também divulgou nota com essa mesma posição, mas afirmando que permanece aberto ao diálogo com outros estados para “construir soluções conjuntas”.

Para evitar uma insatisfação de caminhoneiros com a escalada do diesel, o governo federal passou a apertar o cerco para o cumprimento dos valores da tabela de frete junto a empresas de transportes.

O que dizem governo e caminhoneiros

O quadro de incerteza gerou manifestações do governo e de entidades de caminhoneiros. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu que o governo já se antecipou ao tomar medidas e afirmou que o que se pode fazer é minimizar o impacto nos preços.

Continua depois da publicidade

O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de SC (Sindicam) e da Federação de Caminhoneiros de SC (Fecam), Francisco Biazotto, reconhece que a alta do diesel tem causado insatisfação, mas afirma que as entidades vão aguardar os próximos acontecimentos. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos divulgou nota afirmando que comunicará os sindicatos das ações do governo e que “seguirá acompanhando todos os desdobramentos”.