A Festa Nacional do Pinhão está chegando. O grande evento lageano, que acontece de 24 de maio a 2 de junho, traz em sua programação a Sapecada da Canção Nativa, festival de músicas nativistas, que além das composições, contará com um desfile de indumentárias cheias de significância. Mas, você sabe o que é uma indumentária?

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Em entrevista ao NSC Total, Giovani Primieri, estilista de trajes gaúchos e autor do livro “Indumentária Gaúcha – Dos Bailes Antigos aos Tablados”, trouxe a história deste traje típico que embala a festa serrana.

Confira a programação completa da 34º Festa Nacional do Pinhão, em Lages

Giovani explica que indumentária é o conjunto de trajes que identificam o usuário como pertencente à determinado estrato cultural. Ou seja, um conjunto de hábitos, crenças e conhecimentos de um povo ou determinado grupo artístico.

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Segundo o estilista, esses conjuntos de “trajes identitários” geralmente variam conforme a época, local e aspectos da sociabilidade, seja ela moral, econômica ou social.

— A indumentária evidencia os costumes de cada sociedade dentro das variáveis que trazem os aspectos da sociabilidade. Assim, os trajes são carregados de simbolismo e referências, repletas de representatividade de um estrato cultural distinto — afirma.

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A indumentária é, na verdade, uma roupa que identifica porque não se deixa influenciar pela moda. Ela não é efêmera, nem transitória, cria raízes. Ou como diz Giovani, ela se “aquerencia”. O estilista destaca que quando olhamos para a tradição gaúcha e sua indumentária, é preciso compreender quem é o gaúcho e a sociedade gaúcha.

— O gaúcho sobretudo é um ser campeiro! É um tipo humano intimamente ligado à vida rural. Por isso, tudo que se pense em vestimenta nessa cultura, primeiramente se prioriza a funcionalidade do uso do seu cavalo — afirma.

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A tradição na Serra catarinense

Nesse caso é interessante perceber como o município de Lages, localizado geograficamente próximo ao Rio Grande do Sul, desenvolveu a história junto da cultura gaúcha. Isso explica o amor pelo nativismo e campeirismo pelo povo da Serra catarinense.

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Foi assim que se naturalizou o uso da pilcha, indumentária masculina gaúcha institucionalizada pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, que diferencia a cultura gaúcha e da Serra catarinense de todas as outras do Brasil.

— Isso é um baita privilégio. Um povo ter sua própria característica vinculada às suas origens — ressalta Giovani.

O estilista ressalta que, assim como temos a pilcha para os homens, temos para as mulheres os vestidos de prenda.

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— Um fato interessante é que se “criou” uma imagem em cima dos trajes da Belle Epoque [movimento do fim do século XIX e início do XX] ocasionalmente com resquícios da Era Vitoriana [1837 – 1901]. Assim, até hoje as prendas preservam penteados dessas épocas, silhuetas de trajes em “S” ou “X”, cores usuais dessas épocas, padrões têxteis, enfeites e acessórios condizentes com as épocas em que o gaúcho se forjou na sociedade sul-rio-grandense e na Serra catarinense, fixando-se com sua cultura distinta — comenta.

— Eu poderia resumir o significado de indumentária dando um exemplo: se tu vestires um japonês de calça, ele continuará sendo um japonês. Se vestirmos um japonês de bombacha, alguém vai dizer: olha lá o gaúcho! — compara Giovani.

Isso é o poder da indumentária: identificar o usuário pelos seus costumes no vestir, independentemente de quem ele seja e de qual seja a origem.

Veja fotos das indumentárias tradicionais da Festa do Pinhão

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