Na manhã de 5 de agosto de 1990, às 9h09min, Florianópolis acompanhou a primeira implosão da história da cidade. O alvo foi o antigo Hotel La Porta, edifício construído em 1932 que já havia se tornado referência de modernidade, turismo e cultura na Capital. A ação atraiu milhares de pessoas ao Centro da cidade, que se reuniram na Praça Fernando Machado para assistir ao desabamento.

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Localizado em uma área estratégica, próxima ao mar, o La Porta funcionava inicialmente como hotel de passagem para quem chegava de navio à Ilha de Santa Catarina. Mas, ao contrário dos estabelecimentos simples ligados ao porto, ele foi projetado para oferecer luxo e conforto, com suítes equipadas, restaurante refinado, um piano-bar, além de contar com o primeiro elevador da cidade. Esses diferenciais fizeram dele o principal hotel da Capital durante décadas.

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De acordo com o historiador Rodrigo Rosa, o hotel marcou uma virada no turismo local.

— O La Porta deixou de ser apenas um local de hospedagem rápida para viajantes. Ele ajudou a consolidar Florianópolis como destino turístico e cultural, atraindo autoridades, artistas e visitantes em busca de lazer — explica.

A partir da década de 1960, o cenário começou a mudar. A expansão urbana e o crescimento do turismo em outras regiões da cidade, especialmente nas praias, aceleraram a decadência.

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— Com a modernização de outros bairros e a mudança no perfil dos visitantes, o La Porta deixou de representar o luxo e a modernidade de antes — aponta Rodrigo.

Implosão do Hotel La Porta

Com a descentralização da modernidade na Capital, a Caixa Econômica Federal adquiriu o prédio e mudou a estrutura do local. No entanto, devido a infiltrações e problemas estruturais, o prédio acabou condenado à demolição. O processo foi acompanhado pela Defesa Civil, sob responsabilidade de Amaury Norberto Silva, coronel aposentado da Polícia Militar.

O dia do desabamento ficou marcado na memória dos moradores. Rosilane Capistrano, que tinha 16 anos na época, lembra que a população se reuniu em peso para acompanhar a implosão.

— Tinha até aposta se o prédio ia cair pra frente, pros lados ou pra baixo. E teve briga depois, porque a caixa d’água atingiu uma das lojas e a galera não sabia dizer quem tinha ganho a aposta — relembra.

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Para Bruno Farias, que tinha quatro anos no momento da implosão, a memória também é de grande comoção por parte da população de Florianópolis.

— Eu morava em Biguaçu e a gente pegou o ônibus de manhã para poder ver a demolição, sabe? Mas eu só lembro que tinha muita gente e do barulho [da implosão] — conta.

Apesar do interesse da população em acompanhar o momento, Rosilane Capistrano lamenta a ação:

— Achei triste, porque, apesar de estar descaracterizado, era um prédio importante pra memória cultural de Florianópolis.

Para o historiador Rodrigo Rosa, a destruição do La Porta também levantou debates sobre preservação do patrimônio.

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— Ele fazia parte de uma quadra tombada desde 1974. A demolição mostrou como o patrimônio pode ser negligenciado em nome da funcionalidade — diz.

Mais de três décadas após a implosão, o local onde era localizado o Hotel La Porta hoje é ocupado por uma agência da Caixa Econômica Federal.

Veja fotos do Hotel

*Sob supervisão de Luana Amorim

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