O sol bate direto e não tem sombra para se esconder, justamente por ficar em um telhado. Lá em cima, sobre o concreto brutalista que Hans Broos projetou para a Cia. Hering, existe um jardim de 2,3 mil metros quadrados em que cada planta foi cuidadosamente escolhida por Roberto Burle Marx, considerado “pai” do paisagismo moderno no Brasil. Lírios, bicos-de-papagaio, agapantos, cássias e outras mudas vieram do viveiro pessoal dele, no Rio de Janeiro, para o telhado no bairro Bom Retiro, em Blumenau. Por décadas, quase ninguém sabia que aquilo estava lá e, quem sabia, raramente conseguia subir. Hoje, está mais do que convidado a conhecer o espaço.

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O projeto nasceu nos anos 1970 de uma amizade. Broos e Burle Marx se conheciam e, quando a Hering começou a planejar as comemorações do centenário da empresa, o arquiteto convidou o paisagista para assinar o jardim. Burle Marx aceitou e foi além, veio a Blumenau diversas vezes, acompanhou o plantio de perto, deu orientação sobre cada uma das 41 espécies, que foram cuidadosamente escolhidas para serem resistentes ao sol. Toda e qualquer planta, antes de ser posta na terra, foi pensada e planejada. 

Sobre o concreto brutalista de Hans Broos, a natureza desenhada à mão por Burle Marx (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

O paisagismo colorido e diversificado traz um contraste interessante para a arquitetura de Broos. O jardim suspenso tem uma composição arquitetônica, em que as plantas são organizadas em fileiras e colunas, sempre com uma forma geométrica clara e bruta.

Nos cantos, estão as espécies que têm cores mais frias, como o verde, enquanto as plantas com tons mais quentes formam círculos ou retângulos no centro. É a união entre o orgânico e o concreto. O jardim suspenso foi inaugurado em 1980, junto à Praça Histórica, como presente dos cem anos da companhia.

Um telhado que esconde 2,3 mil metros quadrados de paisagismo moderno brasileiro (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

Por décadas, esse lugar teve o acesso reservado, liberado apenas em ocasiões específicas, um tipo de tesouro escondido no telhado de uma empresa têxtil centenária. Porém, desde o final de fevereiro do ano passado, qualquer pessoa pode visitar.

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A Fundação Hermann Hering anunciou a abertura diária ao público junto com outra novidade. O Museu Hering agora existe também no metaverso, em que visitantes podem conversar com Hermann, Bruno e Minna Hering, os fundadores da empresa, recriados com inteligência artificial. 

Veja mais fotos do jardim suspenso

Como visitar o Museu Hering

A visita ao jardim faz parte de um tour gratuito que inclui as dependências do Museu Hering, instalado em uma casa enxaimel construída no final do século XIX. O passeio também leva os visitantes às instalações da companhia e termina lá em cima, onde o sol bate direto e as plantas ainda crescem, presentes de Burle Marx a Blumenau.

O museu funciona de segunda-feira a sábado, das 10h às 16h, e permanece fechado aos domingos. A entrada é gratuita. Para o Museu Hering Experience, é necessário agendamento prévio pelo site da Fundação Hermann Hering através deste link. O espaço fica na Rua Hermann Hering, 1.740, no bairro Bom Retiro, em Blumenau. Para mais informações, o contato pode ser feito pelo telefone (47) 3321-3340 ou pelo e-mail museuhering@fhh.org.br.