A mãe do menino de 10 anos, vítima de um estupro coletivo em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, relatou que uma irmã de três anos dele foi abusada e morta junto a outra menina da mesma idade, há oito anos. As informações são da Folha de S. Paulo.

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— Perdemos minha enteada para a violência sexual. Ela só tinha 3 anos quando foi brutalmente violentada. Nada trará ela de volta e já se passaram oito anos. Agora, acontece com o irmão dela. Meu filho teve sorte de estar vivo — lamentou a mãe.

Saiba mais sobre o caso

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O caso do menino, registrado em 21 de abril deste ano, também envolveu outra criança de 7 anos. Segundo a Polícia Civil, os envolvidos foram identificados, sendo quatro adolescentes e um maior de idade. Os adolescentes foram apreendidos e um homem, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi preso na segunda-feira (4) na Bahia.

De acordo com o delegado Júlio Geraldo, titular do 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), onde o caso é investigado, Alessandro confessou participação no caso e reconheceu ser o autor do vídeo que registrou os abusos contra os meninos.

Na delegacia, o suspeito disse que crime não foi premeditado e foi cometido “por zoeira”. Ele será indiciado por estupro de vulnerável, corrupção de menores e compartilhamento de pornografia infantil.

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A defesa de Alessandro Martins dos Santos não foi localizada.

Menino ficou desaparecido por dois dias

Segundo a mãe do menino de 10 anos, que não teve a identidade revelada, a família estranhou quando a criança não voltou para casa no dia do crime. Ele ficou desaparecido por dois dias após a violência, dormindo dentro de um carro abandonado numa pracinha do bairro.

— Só depois que fizemos um boletim de ocorrência de desaparecimento foi que descobrimos o paradeiro dele. Meu filho ficou escondido num carro abandonado, com medo que os criminosos fossem colocar fogo na nossa casa. Os acusados disseram que iam sumir com ele caso alguém descobrisse a verdade.

A mãe revelou que o menino está com medo, evita tocar no assunto, está triste e confuso.

— Ele só diz que ficou com medo dos criminosos fazerem maldades com a nossa família.

Convite para empinar pipa

O caso foi registrado no dia 21 de abril, contudo, só chegou ao conhecimento das autoridades no dia 24 de abril, três dias após o crime, depois que a irmã de uma das vítimas viu imagens do abuso circulando nas redes sociais e procurou a delegacia para registrar a denúncia.

De acordo com a Polícia Civil, os agressores conheciam as crianças e atraíram as vítimas com um convite para empinar pipa antes do crime.

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— Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram pra soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque falaram: “vamos soltar pipa, aqui tem uma linha” — disse a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.

Ainda conforme a delegada, as vítimas eram pressionadas para não procurar a polícia.

— As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Embora estivesse circulando na internet, a família não havia registrado queixa.

A delegada afirmou ainda que a irmã que fez a denúncia não morava mais com a mãe das vítimas e identificou o irmão ao ver o vídeo nas redes sociais.