Diante do conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, cidades de Santa Catarina já começam a sentir os impactos da crise internacional. O fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, em 28 de fevereiro, afeta o fornecimento de combustíveis. No Sul do Estado, Lauro Müller já anunciou medidas de racionamento, enquanto Araranguá avalia ações preventivas diante do risco de desabastecimento.

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Nesta terça-feira (17), o prefeito de Lauro Müller, Valdir Fontanella, anunciou oficialmente a adoção de medidas para economia de combustível. Neste momento, os principais serviços afetados são os ligados às frotas das Secretarias de Agricultura e de Obras, que terão as atividades reorganizadas conforme necessidade.

As diretrizes têm como objetivo preservar o estoque de combustível disponível na cidade, reduzindo o consumo da frota pública. Assim, será possível garantir a continuidade das atividades consideradas essenciais para a população, como o atendimento de ambulâncias, coleta de lixo e transporte escolar.

— Estamos adotando essas medidas de forma responsável, não pelo preço, e sim pela escassez. Só queremos nos precaver e manter o atendimento à população — destacou Fontanella.

Araranguá avalia medidas preventivas

Em Araranguá, a prefeitura informou que também avalia ações de racionamento de óleo diesel diante do cenário internacional. Segundo a administração municipal, secretários e diretores se reuniram para discutir a reorganização do uso de diesel, após alertas de fornecedores sobre possível escassez.

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Redução no funcionamento da balsa está entre as medidas avaliadas pela prefeitura de Araranguá (Foto: Grupo Núcleo de Turismo, Reprodução)

A prioridade, conforme o município, é manter serviços essenciais, como saúde e transporte escolar. Entre as alternativas analisadas está a redução nos horários de funcionamento da balsa. A prefeitura destaca que as ações têm caráter preventivo e temporário.

Em nota, a prefeitura informou que “o abastecimento segue ocorrendo normalmente”, mas que “adotamos uma postura preventiva, orientando as secretarias a priorizarem o uso do combustível em serviços essenciais, como saúde, transporte escolar e coleta de resíduos”. “Em relação ao estoque, o município mantém um nível que garante, neste momento, a continuidade dos serviços públicos, mas seguimos monitorando diariamente para evitar qualquer tipo de impacto. As medidas adotadas até aqui são de caráter preventivo, e não houve necessidade de interrupção de serviços essenciais. Algumas atividades não urgentes foram reavaliadas internamente como forma de economia e planejamento.”

Ainda em relação à balsa, “não foi necessária a redução de funcionamento até o momento, mantendo-se a operação normal”. A nota conclui que “seguimos atentos à evolução do cenário e, caso haja qualquer mudança, novas medidas poderão ser adotadas sempre com responsabilidade e transparência”.

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Alta do petróleo e risco de escassez: entenda os impactos do conflito no Irã

O conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já provoca reflexos na economia global e começa a impactar o Brasil. Entre as principais consequências estão a alta no preço do petróleo e o risco de redução na oferta de combustíveis.

Nas primeiras semanas de tensão, o valor do barril disparou no mercado internacional, saindo da faixa de 80 dólares para cerca de 120 dólares, o maior patamar desde 2022. Mesmo com oscilações ao longo dos dias, o preço segue elevado após novos ataques a navios petroleiros.

O cenário é agravado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial. A restrição no fluxo afeta diretamente a produção e distribuição do combustível.

No Brasil, os impactos já começam a aparecer no diesel. Dados da última semana da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam aumento no preço, com registros acima de R$ 7,50 em algumas cidades. Segundo entidades do setor, a alta está relacionada à redução na oferta, já que parte do combustível consumido no país é importada.

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