Conversas incluídas no relatório da Polícia Federal que investiga a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e sua milícia particular chamada de “A Turma” revelaram supostos repasses de verba do empresário para políticos e planos do empresário de intimidar adversários. Entre os alvos estariam diferentes pessoas, incluindo um DJ e ex-jogador da NBA, a liga de basquete norte-americano e até uma empregada da atriz Monique Alfradique.

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Os casos vieram à tona após a divulgação do relatório da PF e no dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sobre a manutenção da prisão do pai e do primo de Vorcaro.

Planos de emboscada a ex-jogador de NBA

Um dos casos revelados nas conversas de Vorcaro com os membros da “Turma” envolviam um plano de emboscada contra o DJ e ex-jogador da NBA, Ronald Fred Seikaly. Ele jogou na NBA entre a década de 1980 e 1990 e teve um relacionamento com Martha Graeff, namorada de Vorcaro à época das conversas. O motivo seria um suposto desentendimento do DJ com seu filho, que não teve detalhes especificados.

Vorcaro teria conversado com o braço direito Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e que morreu após ser preso, em março deste ano. A perícia apontou que ele teria cometido suicídio. O plano foi discutido em outubro de 2024.

Nos diálogos, Vorcaro discutiu a possibilidade de contratar alguém para ir até Miami, nos Estados Unidos, onde vive o DJ, para tentar incriminá-lo simulando um incidente com drogas. O banqueiro revelou estar disposto a gastar até R$ 10 milhões na investida. Outra ideia citada posteriormente seria a de atrair o DJ para tocar em uma festa no Brasil, onde ele poderia ser intimidado por membros da milícia particular de Vorcaro.

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Conforme a apuração da PF, o grupo chegou a monitorar os passos do ex-jogador e teria feito pesquisas para levantar informações sobre o DJ e apontar se ele teria alguma viagem prevista para o Brasil. Os planos, no entanto, não foram adiante. A estratégia colocada em prática teria sido a de elaborar um documento falso destinado à Interpol para tentar intimidar Seikaly.

Veja nomes citados em conversas de Vorcaro

Empregada de Monique Alfradique

Outro episódio revelado nas conversas de Daniel Vorcaro citadas no relatório da PF é uma ameaça a uma empregada da atriz Monique Alfradique. Uma foto da artista aparecia em um contato do banqueiro salvo no celular com o nome de “Alan da TI” e o nome dela também era citado em conversas do empresário com a então namorada Martha Graeff.

Em outra conversa com Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, Vorcaro envia uma mensagem pedindo que era necessário “moer” uma empregada de Monique Alfradique. O diálogo ocorreu em fevereiro de 2025.
“Empregada monique (sic) me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, escreveu.

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Após a mensagem, Sicário envia um arquivo com dados pessoais e uma foto da mulher citada como empregada. A investigação não aponta se os dois seguiram em frente com o plano.

Chef de cozinha de Vorcaro

Um chef de cozinha que trabalhou na casa de Daniel Vorcaro relatou à Polícia Federal ter sido ameaçado depois de ser demitido do emprego. Em 2024, um grupo teria abordado o profissional para saber se ele mantinha registro no celular, como fotos e vídeos do período em que trabalhou na casa do banqueiro.
A abordagem teria ocorrido em um hotel em Angra dos Reis, o novo local de trabalho do chef.

“Uma garçonete me chamou e disse que queriam falar comigo. Eu não tinha visto a quantidade de pessoas que estavam me esperando, umas sete. Um rapaz forte se apresentou como Emanuel ou Manuel e disse que tinha ido a mando do seu Daniel para saber se eu tinha alguma coisa dele ou da esposa dele no celular”, afirmou à PF.

O chef negou ter qualquer registro, mas afirmou ter ficado preocupado com a segurança da família em razão da ameaça. Ele trabalhou com Vorcaro de 2021 a 2024. Ele e os demais empregados eram proibidos de fazer registros com celulares.

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Mesada a Ciro Nogueira

Uma parte do relatório da PF apresenta imagens que mostrariam proximidade entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O banqueiro teria pago mais de R$ 400 mil em viagens internacionais de luxo ao parlamentar, para destinos como Paris (França), Nova Iorque (EUA) e Portugal.

A atenção e os gastos com Ciro Nogueira se justificaria porque o parlamentar atuaria no Senado em favor de interesses de Vorcaro. O senador é autor da Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, chamada de “Emenda Master”.

A proposta buscava aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa, o que poderia aumentaria a garantia em investimentos oferecidos também pelo Master e poderia multiplicar a obtenção de recursos por parte do Master.

O relatório da PF mostra fotos de Ciro Nogueira e Vorcaro juntos em restaurantes e voos. Os agrados de Vorcaro a Ciro envolveriam uma “mesada” de R$ 300 mil a R$ 500 mil e o custeio de viagens.

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A defesa de Ciro Nogueira não havia se manifestado até a manhã desta quarta-feira (17). Em maio, quando o senador foi alvo de uma operação da PF por suspeitas ligadas ao caso Master, a defesa do senador negou qualquer participação dele em atividades ilícitas e nos fatos investigados.

A defesa de Daniel Vorcaro ainda não se manifestou sobre as novas acusações.

* Com informações de O Globo e portal g1