O período de pré-campanha eleitoral em Santa Catarina vem sendo movimentado por antecipação de algumas definições importantes na formação das prováveis chapas das disputas de outubro. Na chapa do governador Jorginho Mello (PL), o nome do candidato a vice já foi anunciado — o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), que por força da legislação eleitoral precisará renunciar ao cargo até 4 de abril para integrar o projeto do governador.

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Outro pré-candidato ao governo, João Rodrigues (PSD) é prefeito de Chapecó e também precisa renunciar ao cargo até seis meses antes do primeiro turno das eleições para poder concorrer à Casa d’Agronômica. Em razão disso, ele também pisa no acelerador para tentar fechar acordos que lhe garantam apoio na disputa. Em entrevista ao podcast Café nas Eleições, do NSC Total, ele confirmou conversas com MDB e com a federação União Progressistas, que já estiveram mais próximas da chapa de Jorginho Mello, e disse que um anúncio de aliança pode ocorrer “nos próximos dias”.

Na esquerda, um fato recente que movimentou o noticiário político foi a possibilidade de o ex-deputado estadual Gelson Merisio ser candidato ao governo em uma frente que inclua o PT e outros partidos do campo progressista. Atualmente, ele está no Solidariedade, mas poderia se filiar a outras legendas como o PSB para integrar a disputa. Neste cenário, Merisio abriria espaço para Décio Lima (PT) tentar uma vaga ao Senado pela coligação, aproveitando a ligação com Lula e o recall de votos de 2022, quando foi o único candidato petista a ir ao segundo turno na corrida pelo governo de SC, para tentar beliscar uma vaga de senador em enfrentamento direto contra Carlos Bolsonaro (PL).

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A corrida pelo Senado, aliás, é outro espaço que tem movimentado as movimentações no xadrez eleitoral de SC, com idas e vindas para a confirmação da chapa do PL. Nesta semana, a expectativa é de que uma reunião em Brasília possa garantir a indicação da deputada Caroline de Toni (PL) como nome ao Senado, ao lado de Carlos Bolsonaro. A formação deixaria de lado o atual senador Esperidião Amin (PP), que também deseja concorrer ao cargo para se reeleger e pode ter que buscar espaço para isso na chapa do adversário João Rodrigues.

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O que esperar dos próximos meses

Embora algumas definições já tenham ocorrido e outras sejam esperadas para as próximas semanas, até o prazo para desincompatibilização de quem ocupa cargos públicos, a pré-campanha eleitoral em SC deve ter também novos episódios nos próximos meses, antes da definição final dos candidatos, que ocorre somente no início de agosto.

O doutor em Ciência Política e professor da faculdade Ielusc, de Joinville, João Kamradt, avalia que há ao menos três situações mais claras que podem ser esperadas nos próximos meses em SC. Confira abaixo na análise.

Guerra interna na direita

Segundo o especialista, uma das situações esperadas para os próximos meses de pré-campanha eleitoral no Estado é uma guerra interna na direita. Isso porque tanto Jorginho Mello quanto João Rodrigues têm identificação com esse campo ideológico e tentam firmar posição junto a esse eleitorado.

— A definição entre Jorginho e João Rodrigues será o eixo da direita. Se tiver um rompimento total entre as bases e as discussões desses pré-candidatos, a disputa tende a ficar mais quente — aponta.

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Nacionalização da disputa

Outro fenômeno que deve ganhar força no período de pré-campanha, na avaliação do professor, é a nacionalização da campanha no Estado. O fenômeno já ocorreu em 2022 e pode novamente trazer a SC assuntos da polarização nacional, entre Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e nome escolhido para representar a raia bolsonarista na corrida presidencial. Em paralelo a isso, o PSD, que tenta lançar Ratinho Júnior como alternativa de centro-direita à Presidência, também deve ter representante na corrida do governo de SC, o que também pode favorecer a nacionalização.

— A gente tende a ver uma nacionalização forte da campanha no Estado. O ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo impedido de estar fisicamente aqui no Estado, deve participar da campanha e, se Carlos Bolsonaro vier concorrer ao Senado por SC, isso vai puxar indiretamente a eleição para o debate nacional — avalia João Kamradt.

Movimento ao centro

Com espaço cada vez mais improvável na chapa majoritária do governador Jorginho Mello, o MDB e os partidos União Brasil e PP, unidos em federação, dialogam com as bases e negociam com outras siglas, como o PSD, que tem o pré-candidato a governador João Rodrigues. Essa tendência, segundo o professor, pode resultar em um movimento estratégico dessas siglas ao centro, em vez do alinhamento ao projeto governista, cenário dado como mais provável até o fim do ano passado.

— O MDB, o PSD e outros partidos vão negociar até o último minuto em SC. E o Estado já tem tradição de acordões de última hora — afirma.

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