A Prefeitura de Florianópolis informou, nesta quarta-feira (21), que está finalizando os trâmites necessários para regulamentar a lei que permite a circulação de cães nas praias, aprovada no início de dezembro. O órgão municipal alega que deve permitir a presença dos animais em somente duas praias, em horários previamente definidos e áreas delimitadas da orla.
Continua depois da publicidade
Os balneários que permitirão a presença dos cães, a princípio, serão a Praia do Campeche, no Sul da Ilha, e a Praia dos Ingleses, no Norte.
Ainda de acordo com a prefeitura, a presença dos pets nas praias será “condicionada a uma série de requisitos que visam a segurança dos animais e também dos demais frequentadores”. A sanção e regulamentação da lei devem ocorrer nos próximos dias, segundo o poder público municipal.
As praias mais famosas de Florianópolis
Câmara de Florianópolis aprovou o projeto em dezembro
A Câmara de Vereadores de Florianópolis aprovou no dia 3 de dezembro o projeto de lei complementar que autoriza a presença de cães nas praias de Florianópolis. O projeto é de autoria da vereadora Pri Fernandes (PSD) e atualiza o Código de Posturas de Florianópolis por meio de um substitutivo global.
Continua depois da publicidade
O projeto foi aprovado em segunda votação. Na primeira, ele recebeu 14 votos favoráveis, dois contrários e uma abstenção. Na segunda votação, foram 17 votos a favor, sem manifestações contrárias ou abstenções.
O que dizia o projeto
O texto aprovado traz mudanças nas regras para circulação e permanência de animais domésticos nas praias da Capital e estabelece responsabilidades para os tutores. O substitutivo global destaca que os tutores terão que recolher imediatamente os dejetos deixados pelos animais nos espaços públicos.
Caso essa determinação seja descumprida, será considerada infração sujeita à multa, conforme previsto na legislação. A exceção permanece apenas para cães-guia que acompanham pessoas com deficiência visual.
A nova redação do Código de Posturas permite a presença dos cães em áreas e horários que serão definidos pela prefeitura por meio de decreto. A decisão visa organizar os trechos e períodos adequados para a presença de animais, buscando uma melhor convivência entre banhistas e tutores.
Continua depois da publicidade
Caminho do projeto e repercussão
Um projeto de lei muito similar ao de Pri Fernandes foi encaminhado pela prefeitura de Florianópolis à Câmara de Vereadores da Capital em fevereiro do ano passado. A proposta era permitir a circulação de cães nas praias da cidade apenas em locais e horários específicos. A ideia foi anunciada pelo prefeito Topázio Neto em um vídeo nas redes sociais.
Na época em que o projeto foi anunciado, Topázio disse que locais e horários mais movimentados seriam avaliados, para evitar o conflito entre pessoas que gostam e não gostam de animais nas praias. Assim, aqueles que não gostam podem evitar os respectivos horários e locais.
O PLC 1977/2025, da prefeitura, foi apensado ao PLC 01956/2024, da vereadora Pri Fernandes, ou seja, os dois textos foram unidos por tratarem de temas similares para tramitarem juntos, como se fosse um texto único. O projeto do legislativo foi aprovado com um substitutivo global que destacou a responsabilidade dos tutores sobre a limpeza dos dejetos dos animais e também a delimitação de áreas e horários definidos pelo poder público para a liberação.
Desde 2001, a presença de animais nas praias de Florianópolis é proibida pela Lei Municipal nº 094/01. Quando o projeto de lei do executivo foi proposto, em fevereiro, o assunto gerou polêmica entre os moradores.
Continua depois da publicidade
Pesquisa indicou riscos da presença de cães nas praias
Os impactos da presença de cães nas praias também viraram tema de pesquisa da pós-graduação em Agroecossistemas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Conforme o estudo, há riscos de saúde relacionados às questões sanitárias, além de danos à flora e à fauna local.
A pesquisa, desenvolvida pela médica veterinária Carla Roberta Seára Willemann, faz análises dos riscos para a saúde humana, animal e ambiental, bem como de experiências de praias pet friendly pelo mundo. Ela também aponta medidas fundamentais para que se possa liberar a presença de cães de maneira segura, como investimento em saneamento básico e controle de animais errantes.
Para o estudo, a médica veterinária visitou algumas praias da capital catarinense e verificou a presença de cães e a infraestrutura disponível. Segundo ela, um dos principais problemas associados à presença de cachorros nos locais é a contaminação do ambiente com fezes contendo parasitas.
O levantamento identificou 27 parasitas diferentes, por meio da revisão bibliográfica de outras pesquisas que analisaram fezes de cães. Um dos mais frequentes é o Ancylostoma spp., causador do “bicho geográfico” — uma infecção comum entre frequentadores de praias.
Continua depois da publicidade





