A mulher que foi flagrada fazendo ofensas racistas a um funcionário de uma loja no bairro Cachoeira do Bom Jesus, em Florianópolis no dia 28 de janeiro provavelmente vai ter a “pena mínima de dois anos de prisão” imputada a ela, de acordo com o delegado Pedro Mendes, que pode ser convertida em penas alternativas. As ofensas racistas foram flagradas pela câmera de monitoramento do local. Com informações do g1 SC e da NSC TV.

Continua depois da publicidade

Segundo o delegado, a vítima, Dennys Evangelista da Silva, de 18 anos, já foi intimado a depor e, depois, a mulher também deve ser ouvida. Conforme afirmou o delegado, o vídeo ainda passará por perícia dentro do inquérito sobre o caso.

— A gente tem que ver se ela tem algumas outras passagens policiais. O que a gente vê na prática é que provavelmente a pena que vai ser imputada a ela, caso ela seja condenada, vai ser a pena mínima de dois anos, que a legislação faz com que isso seja convertido em penas alternativas — explicou.

Ofensas em razão de raça ou cor são crimes de acordo com a lei n° 7.716/89, com pena de dois a cinco anos de prisão, com aplicação de multa. O inquérito, segundo Pedro Mendes, já foi instaurado, com prazo inicial de 30 dias.

— O vídeo realmente é impactante, repugnante, e a Polícia Civil tá trabalhando na elucidação desse crime — afirmou.

Continua depois da publicidade

O Ministério Público de Santa Catarina também verifica o caso, com a abertura de um procedimento para obter dados dos envolvidos. A intenção é oferecer uma denúncia contra a mulher.

Veja fotos

“Massacrada”

Ao g1, a mulher, identificada como Critiane Lopes, afirmou que está sendo “massacrada” depois que as imagens repercutiram. Segundo ela, ela acabou “falando aquelas besteiras, mas não era para ter falado”.

Assista ao vídeo

Entenda o que aconteceu

Dennys está em seu primeiro emprego e, naquele dia 28 de janeiro, estava atendendo na loja pela manhã. O caso aconteceu por volta das 9h50min, quando a mulher entra na loja. Câmeras de monitoramento flagram quando ela pede uma informação ao atendente sobre outro local. Dennys responde, mas a mulher não fica satisfeita com a resposta.

Continua depois da publicidade

Depois de Dennys afirmar que o endereço era próximo, a mulher começa a ofendê-lo com ofensas de cunho racista.

“Nego quando não c* na entrada, c* na saída. Pelo amor de Deus. Por isso que eu não gosto de nego”, disse.

Dennys afirmou que ela queria trocar a tela do celular, mas o técnico responsável não estava na loja naquele momento. Por isso, ele explicou a situação e indicou o outro estabelecimento.

— Quando falei que o técnico tinha saído, expliquei para ela por que ele tinha saído, sendo que não era minha obrigação explicar, e ela ficou braba porque achou que não estava com vontade de trabalhar — afirmou Dennys.

Continua depois da publicidade

Segundo o jovem, ele ficou em choque e, depois a parte mais complexa acabou sendo contar à mãe.

— Só caiu a ficha do que realmente tinha acontecido quando eu cheguei em casa, que daí eu chorei um monte, me senti muito mal […] Eu cheguei pra minha mãe e a parte mais difícil foi olhar nos olhos dela e ver que ela estava chorando também — disse.

A advogada Jackie Anacleto representa o funcionário e afirmou que vai buscar todas as formas de reparação.

— A condenação tem que ser firme e não ser levada como um crime de injúria simples, como um simples xingamento porque estava nervosa e tudo mais. Nada justifica o crime de racismo — destacou.