O Ministério da Educação (MEC) tenta readequar a narrativa em torno do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) após os critérios de equidade do programa entrarem sob forte questionamento público. Segundo os estudantes, o novo Desenrola Fies premia quem está inadimplente e tem propostas melhores para o pagamento em detrimento de quem sofre diariamente para continuar honrando o compromisso.

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Em posicionamento oficial enviado à Folha de S. Paulo, a pasta defendeu que o foi estruturado para abraçar múltiplos perfis socioeconômicos de graduados, garantindo “condições específicas para cada situação”, o que englobaria tanto os contratos regulares quanto os atrasados.

Governo se posiciona

O governo sustenta que a meta principal não é o recolhimento de receitas, mas sim garantir o restabelecimento do potencial financeiro dos profissionais formados.

“O objetivo central da iniciativa é oferecer uma oportunidade efetiva de regularização financeira, permitindo que os beneficiários retomem sua capacidade de crédito, regularizem sua situação contratual e recuperem sua inserção plena na atividade econômica”, declarou a pasta.

Apesar da blindagem instrucional, o ministério evitou estipular prazos ou cronogramas ao ser questionado sobre o desenvolvimento de uma reforma estrutural definitiva no modelo de cobranças para estancar novos calotes, limitando-se a pontuar que mantém monitoramento contínuo sobre alternativas de gestão e mitigação de riscos fiscais.

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Os números do abatimento bilionário que inflaram as queixas

A pressão sobre o Palácio do Planalto intensificou-se após a divulgação do balanço consolidado das renegociações emergenciais, cujos números evidenciam um abismo de tratamento entre os perfis de beneficiários. A gestão federal registrou um montante de R$ 3,7 bilhões renegociados por meio do Desenrola Fies.

Desse total, houve uma redução drástica de dívidas que despencaram de R$ 4 bilhões para R$ 940 milhões, consolidando um abatimento de aproximadamente R$ 3,06 bilhões em favor dos devedores.

O tamanho do perdão governamental gerou um descontentamento entre os recém-formados que sacrificam o orçamento doméstico mensal para honrar suas parcelas rigorosamente em dia.

Esse grupo argumenta que o esforço contínuo não recebe o devido reconhecimento do Estado, gerando cobranças por reparações ou bônus proporcionais e criando um ambiente de ruído político que o governo federal tenta conter diante do calendário eleitoral.

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O abismo técnico entre os contratos regulares e os em atraso

O descompasso regulatório fica evidente quando confrontados os critérios de desconto estipulados para cada faixa de estudante:

  • Estudantes Adimplentes: Possuem direito a um abatimento fixado em apenas 12% sobre o saldo devedor, benefício que ainda exige a quitação integral do montante de forma em dia e à vista, uma barreira financeira para jovens em início de carreira.
  • Estudantes Inadimplentes: Encontram nas regras do Desenrola Fies a possibilidade de realizar o parcelamento dos débitos acumulados com descontos que podem alcançar até 99% do valor total devido.

Para mitigar os danos à imagem da equipe econômica perante as famílias que priorizam a adimplência, o alto escalão do governo federal recuou e confirmou que novas diretrizes estão sendo desenhadas nos bastidores para bonificar o estudante que não atrasa.

“A pedido do presidente, o que estamos fazendo para frente é avaliar estímulos e prêmios para os adimplentes”, garantiu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao especificar os planos em debate na cúpula do Executivo.

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