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Diesel mais caro do que a gasolina causa reação em cadeia nos preços; entenda o impacto

Aumento deve ter reflexo no valor dos fretes e, consequentemente, atingir o bolso do consumidor

21/06/2022 - 13h11 - Atualizada em: 21/06/2022 - 13h53

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Talita
Por Talita Catie
Em Blumenau tem posto cobrando R$ 0,37 centavos de diferença
Em Blumenau tem posto cobrando R$ 0,37 centavos de diferença
(Foto: )

O preço do diesel ultrapassou o valor da gasolina nas bombas. A placa na frente de um posto de combustíveis de Blumenau deixa clara a diferença: R$ 7,59 o litro de diesel e R$ 7,22 o da gasolina. Ou seja, R$ 0,37 entre um e outro. Em Chapecó a variação é ainda maior, chega a R$ 0,46 centavos. 

Na última semana, o valor médio do óleo em Santa Catarina era de R$ 6,47, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já o preço da gasolina comum estava em R$ 7,11.

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O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Blumenau (Sinpeb), Júlio Cesar Zimmermann, diz que esse é um momento inédito no estado. Ele explica ainda que o cenário reflete o aumento recente da Petrobras de 14,2% no diesel (cerca de R$ 0,70 centavos) e de 5,2% na gasolina (na casa dos R$ 0,20 centavos). 

— Nunca tinha visto o preço do diesel ser maior do que o da gasolina em Santa Catarina — afirma. 

De acordo com o economista Jamis Antonio Piaza, a situação é resultado da alta demanda do mercado nacional por diesel em um país que não é autosuficiente e precisa importa o produtor. Aí entra o fator externo. Com a guerra na Ucrânia, o mercado financeiro está instável, os preços sobem e como o Brasil compra o combustível de fora e paga na cotação do dólar, o valor fica nas alturas. 

Um terceiro aspecto é a questão dos impostos que incidem sobre o produto. É o caso do ICMS, alvo de medidas para tentar reduzir os preços. Porém, o tributo é um dos mais importantes para o caixa do Estado e abrir mão dele, como propõe o governo Federal, vai trazer impactos. Em SC, a cota de ICMS para a gasolina é 25% e para o diesel é 12%.

A curto prazo, o especialista não vê condições para reduzir os preços. 

— A Petrobras é uma empresa que precisa ter a taxa de lucratividade e joga isso para o mercado. Outro fator é a concorrência nos postos de combustíveis, que quando recebm o produto praticam o preço conforme a oscilação do mercado — explica Piaza. 

Todos pagam a conta

O impacto atinge primeiro quem vai encher o tanque, mas é uma reação em cadeia. Isso porque o diesel é usado principalmente pelos caminhoneiros. Quando esse valor sobe, eles ajustam os preços dos fretes e, consequentemente, a logistica de transporte de produtos se torna mais cara. 

— Uma carreta carregada faz dois quilômetros com um litro de diesel. Ou seja, precisa de cerca de R$ 40 para rodar 10 km. Enquanto isso, um carro faz o mesmo trajeto com R$ 7 — explifica Zimmermann. 

Com 60 anos de experiência rodando as estradas, Primo Luiz Dalla Vecchi refirma nunca ter visto o diesel mais caro que a gasolina:

— Antes, quando a gente achava o oléo caro ele ainda estava cerca de 30% mais barato do que a gasolina. Com esse novo reajuste, estamos pagando para trabalhar — lamenta. 

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) já comunicou que o frete deverá ter aumento emergencial de 5% a 9%. E logo o reajuste esse reajuste chega a toda população, como, por exemplo, o preço dos itens no supermercado, explicou o economista Márcio Paixão em entrevista à repórter Letícia Ferrari, da NSC TV. 

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