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Outubro Rosa

Do diagnóstico ao tratamento: a força das mulheres que enfrentam o câncer de mama

Conheça a história de Flaviana Régis e Tatiana Maciel, catarinenses na luta contra a doença

18/10/2021 - 16h37

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Estúdio
Por Estúdio NSC
Tatiana Maciel enfrentou o câncer de mama até agosto deste ano
Tatiana Maciel enfrentou o câncer de mama até agosto deste ano
(Foto: )

Sem histórico familiar, a advogada Tatiana Maciel, 37, moradora de São José, recebeu em plena pandemia o diagnóstico de câncer de mama, o que a fez descobrir uma força que nem sabia que tinha.

— Não fumo, não bebo, nunca tive sobrepeso, faço atividade física, pratico yoga e fiz todos os exames de rotina em dezembro de 2019. Durante o banho, em junho de 2020, senti um carocinho no seio e resolvi ir à ginecologista. Ela apalpou e me tranquilizou dizendo que estava "soltinho", mas como eu estava bastante nervosa me deu uma requisição de ultrassonografia para desencargo de consciência — conta Maciel.

> Prevenção ao câncer de mama: a importância do autoexame e da mamografia

Com o exame de biópsia, veio o diagnóstico de câncer de mama. O protocolo de tratamento foi de 16 sessões de quimioterapia, cirurgia para colocação de cateter, cirurgia conservadora da mama, 15 sessões de radioterapia e mais oito ciclos de quimioterapia oral – um total de 672 comprimidos.

Após o final do tratamento em agosto deste ano, Tatiana segue o acompanhamento com exames de controle, que têm apresentado resultados positivos. Passar por uma doença tão difícil foi possível com o apoio e suporte da família.

— Minha mãe cuidou da minha alimentação, do horário dos remédios e durante os dois pós-cirúrgicos, além de me acompanhar nos exames em que precisei de sedação. Meu pai me levava e buscava nas quimioterapias, exames, consultas e também foi comigo para Criciúma me acompanhar durante a radioterapia. Meus amigos foram maravilhosos e, mesmo não podendo estar comigo fisicamente, conseguiram se fazer muito presentes. Também sou muito agradecida a todo o pessoal da enfermagem que cuidou de mim nesse período e se tornou a família que não pude ter naquele momento. Eu me senti muito amada e isso ajuda muito no enfrentamento desse tratamento, que é bem pesado — relata.

Vivendo com o diagnóstico

Foi em 2014 a primeira vez que Flaviana Jacqueline Régis, moradora de Itajaí, recebeu o diagnóstico. Comerciante e artesã por paixão, o histórico familiar sempre a deixou em alerta.

Flaviana Régis em Florianópolis
Flaviana Régis em Florianópolis
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— Fazia todos os exames periódicos porque a minha família teve outros casos de câncer. Perdi meu pai em 2000 com câncer de próstata. Em 2004, perdi a minha tia, irmã da minha mãe, que morava conosco, com câncer de mama. Por esse histórico, tinha recomendação médica de fazer a mamografia anual. Eu fazia com todo cuidado de 2004 até 2014, quando apareceu o primeiro nódulo na mama, que era bem pequenininho — relata.

No primeiro resultado, o pequeno nódulo não preocupou a mastologista que a atendeu. Depois de alguns meses, ao consultar um oncologista, a biópsia apontou o tumor. Mesmo após procurar outro profissional para ter certeza do que faria, a indicação foi a mesma: retirar a mama por completo.

Flaviana ia a Florianópolis com frequência para o tratamento no Cepon, Centro de Pesquisas Oncológicas. As sessões de quimioterapia iniciaram no fim de 2014 e, em março do ano seguinte, ela retirou a mama esquerda. O expansor, que é colocado para no futuro fazer uma cirurgia reconstrutora, ficou para depois da radioterapia. 24 sessões depois, ela teve uma queimadura de segundo grau e decidiu que não iria fazer a cirurgia de reconstrução.

— Estava difícil para mim, aquela cicatriz é esquisita como mulher, parece que falta um pedaço. Além de tirar a mama esquerda, precisei reduzir a mama direita. Mas tive muito apoio da família, filha, meu companheiro, minhas irmãs, sobrinhos, a gente sempre procurando levar tudo com bom humor. Meu parceiro sempre me elogiando, buscando levantar minha autoestima. Decidi por não fazer a reconstrução. Algumas amigas fizeram e tiveram rejeição, com mais problemas ainda para resolver além do câncer. Desde 2015 até agora não penso em fazer — conta.

— A gente procura manter o bom astral. O diagnóstico está no papel, mas não está impresso na minha alma — conta.
— A gente procura manter o bom astral. O diagnóstico está no papel, mas não está impresso na minha alma — conta.
(Foto: )

Flaviana trabalhava com artesanato têxtil, entre bolsas e acessórios, decoração de cozinha e quarto, mas precisou deixar tudo de lado outra vez.

— No final do ano passado, comecei a sentir muitas dores na coluna, achava que era nervo ciático [...] Descobrimos um tumor na lombar, que estava crescendo e se espalhando para as laterais. Se ele continuasse crescendo, ia me tirar os movimentos das pernas e dos braços — aponta Régis.

> Como a pandemia impactou no combate e prevenção ao câncer de mama

Mais uma vez em tratamento, Flaviana reiniciou a radioterapia e medicação, com inibidor hormonal. Há dois meses, os exames apontaram para diminuição do tumor da coluna, mas apareceram outros pontos de metástase no corpo.

No segundo ciclo da quimioterapia oral, hoje, a cada visita a Floripa, ela vê as irmãs, preparam um café da tarde e jogam baralho. Além do apoio constante da família, desde o início do tratamento, também realiza terapias ocupacionais que, segundo ela, são importantes para não deixar a “mente vazia”. Já fez cromoterapia, reiki para pacientes oncológicos, dedicou-se ao desenho, pintura e artesanato.

— A gente procura manter o bom astral. O diagnóstico está no papel, mas não está impresso na minha alma. Teve um tempo em que tive depressão, que me cedi à auto piedade e à dor. Mas hoje eu procuro afastar os pensamentos negativos — destaca.

Prevenção ainda é a melhor estratégia

O câncer de mama ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil. Até o final de setembro, mais de 400 mulheres perderam a vida devido à doença em Santa Catarina. No ano passado, foram 660 vítimas da doença no Estado.

Neste mês, a Campanha Outubro Rosa reforça a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama para maiores chances de tratamento e cura.

— O diagnóstico precoce além de fazer a prevenção da mortalidade pelo câncer de mama, faz com que a mulher possa se curar e voltar à sua vida de forma mais fácil e mais rápida — reforça o médico mastologista do Cepon Carlos Gustavo Crippa.

O Outubro Rosa é uma iniciativa internacional para controle do câncer de mama que surgiu em 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure dos Estados Unidos. No Brasil, a primeira ação registrada aconteceu no parque do Ibirapuera, São Paulo, em 2002. Desde então, cada vez mais entidades se engajam com a causa e transmitem a mensagem de conscientização e prevenção.

Acesse o canal Outubro Rosa no NSC Total.

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