nsc
    dc

    UM SEMESTRE

    Do primeiro caso de coronavírus ao início da queda, o que ocorreu em seis meses de pandemia em SC

    Catarinenses mudaram hábitos e enfrentaram o período mais crítico do vírus no estado

    13/09/2020 - 06h00

    Compartilhe

    Cristian Edel
    Por Cristian Edel Weiss
    Clarissa
    Por Clarissa Battistella
    Perfil das vítimas mais afetadas pelo coronavírus em SC se consolidou
    Perfil das vítimas mais afetadas pelo coronavírus em SC se consolidou
    (Foto: )

    Do primeiro caso confirmado de coronavírus em Santa Catarina, há seis meses, aos quase 200 mil pacientes notificados até este sábado (12), mais de 2,5 mil pessoas perderam a vida no estado por consequência da doença. 

    > Seis meses depois, o que mudou na rotina com a pandemia do novo coronavírus

    Nesse tempo, os catarinense não só precisaram se habituar aos novos comportamentos, como o uso obrigatório de máscara, o distanciamento social e a higienização frequente das mãos como, também, enfrentaram o momento mais crítico do estado, quando o vírus chegou a causar, em média, 1 morte a cada 26 minutos.

    Durante esse tempo, Santa Catarina precisou aumentar o número de leitos de UTI pelo Sistema Único de Saúde, um decreto de emergência fechou serviços considerados não essenciais, o isolamento social bateu recorde máximo e foi exemplo nacional, mas despencou drasticamente em seguida e, ainda, se conheceu o perfil das vítimas mais afetadas pela pandemia.

    Estado quase dobrou total de leitos de UTis públicas

    No começo da pandemia, Santa Catarina contava com cerca de 800 leitos de UTis a serviço do Sistema Único de Saúde. Para se ter ideia, o número era tão baixo que se não fosse ampliado gradativamente ao longo da pandemia teria registrado uma ocupação de 45% além da capacidade inicial quando atingiu 1.164 pacientes internados em 5 de agosto, o maior número num único dia em toda a pandemia.

    Nessa altura, o Estado já contava com 1.387 leitos a serviço do SUS em hospitais públicos e filantrópicos, dos quais 83,9% ficaram ocupados. Nesta sexta-feira, o número era de 1.546, sendo 1.254 destinados a pacientes adultos. A ocupação geral era de 67,9%.

    Em um único dia, uma morte a cada 26 minutos

    O dia mais crítico da pandemia em Santa Catarina foi 1º de agosto. Em 24 horas ocorreram 54 óbitos, o equivalente a uma morte a cada 26 minutos.

    > Quer receber notícias por WhatsApp? Inscreva-se aqui

    Aquele domingo encerrou a semana mais trágica vivida no Estado desde março. Em sete dias, foram 305 vidas perdidas, média diária de 43. Nas semanas seguintes, o total de óbitos começou a cair gradativamente. Nesta semana, de domingo até sexta-feira ocorreram pelo menos 83 mortes. Mas apesar da redução lenta, ainda é um patamar alto, superior à média semanal registrada até o início de julho.

    Isolamento social nunca pegou em SC

    Com exceção do período mais rigoroso de isolamento social, sustentado pelos decretos publicados pelo governo do Estado a partir de 17 de março, Santa Catarina teve dificuldades em manter os cidadãos em casa a partir da última semana de abril.

    > Painel do Coronavírus: saiba como foi o avanço da pandemia em SC

    > Banhistas desrespeitam decreto e lotam a Praia Brava em Itajaí

    Embora os especialistas em saúde pública recomendem manter uma taxa de isolamento superior a 50%, foram raros os dias úteis em que o Estado conseguiu manter esse índice acima de 40% (veja na linha cinza no gráfico abaixo). As exceções foram os domingos, feriados e, sobretudo, dias de folga chuvosos ou frios.

    Conforme a data de aparecimento dos sintomas (as colunas em verde no gráfico acima), que permite se aproximar mais da data real de contágio dos pacientes, o período de mais forte de contaminação no Estado ocorreu entre 10 e 27 de julho. Apenas em 20 de julho, 5.164 pessoas relataram ter sentido os primeiros sinais de covid-19. A partir da segunda quinzena de agosto o índice caiu abaixo de 1,8 mil novos pacientes por dia, mas ainda é superior ao registrado até o início de junho, por exemplo.

    Perfil do doente em SC se consolidou

    Em seis meses, as estatísticas oficiais permitiram desenhar o perfil dos pacientes mais atingidos pelo vírus e os mais vulneráveis à covid-19. Pessoas economicamente ativas são as mais infectadas. Mas a faixa etária entre 30 e 39 anos concentra 25% de todos os pacientes do Estado.

    No começo da pandemia, essa já era a faixa de idade mais afetada, mas as mulheres eram maioria. Agora, apesar de elas estarem à frente, a diferença entre os gêneros é bem baixa: 51,2% são mulheres e 48,7% são homens.

    As mortes, no entanto, atingem bem mais os homens, que representam 61% dos óbitos. Veja abaixo, no mesmo gráfico de pirâmide por faixa etária, como o eixo fica deslocado para o lado masculino.

    A importância de proteger os mais idosos do contato com as pessoas durante a pandemia se reforça com o índice de letalidade por faixa etária, ou seja, o percentual de pessoas infectadas que morrem por covid-19.

    Enquanto até os 59 anos essa taxa fica abaixo da média de Santa Catarina, de 1,28%, sobe para 4% na faixa entre 60 e 69 anos e 11% entre 70 e 79 anos. Já a média para pessoas acima dos 80 é de uma morte para cada quatro ou cinco infectados.

    Confira a evolução da doença em SC

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Saúde

    Colunistas