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Eleição suplementar em Petrolândia, no Alto Vale, atrai a atenção internacional

Observados por representantes de diversos países, mais de 5 mil eleitores vão às urnas para escolher prefeito e vice da pequena cidade do Alto Vale do Itajaí neste domingo

11/06/2021 - 19h12

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Por Ângela Bastos
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Cidade do Alto Vale do Itajaí a 180 quilômetros de Florianópolis
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O papelzinho da confirmação do voto na eleição de 2020 ainda está no plástico que protege o título. Quando o colocou ali, Ina Boll Felipe achou que só em 2022 mexeria no documento.

– Já estou pronta de novo – brinca a moradora de Petrolândia, cidade do alto Vale do Itajaí a 180 quilômetros de Florianópolis, e que neste domingo, dia 13, escolhe os novos prefeito e vice.

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Além da cidade catarinense, a eleição suplementar vai ocorrer em Sidrolândia (MS), Nova Prata do Iguaçu (PR), Campestre (MG), e Espera Feliz (MG).

O Tribunal Regional Eleitoral catarinense tomou a decisão porque a chapa mais votada nas eleições municipais do ano passado, formada por Rogério Domingos e Selmo Klauberg e que conquistou 2.327 votos, concorreu “sem apresentar documento comprovando a inexistência de processos contra eles no Tribunal de Justiça, dentro do prazo estabelecido pela legislação”.

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Ina Boll Felipe está empolgada com a nova disputa
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Os dois ex-candidatos desistiram desta eleição. Mas o clima da disputa no município com cerca de 6 mil moradores e economia baseada no cultivo do fumo e da cebola foi disputado nos últimos dias. A propaganda eleitoral ganhou o pórtico de entrada, ruas, veículos, casas e comércio.

São três as chapas concorrentes: Edson Padilha e Amarildo Custodio pelo Podemos (Podemos), Angela Adriana Krindges da Mota e Jair Neto pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), e Irone Duarte e Egon Weber pela Coligação “Por Nossa Terra, Por Nossa Gente” (PP-PSD).

Nestes primeiros meses do ano o município foi administrado pela vice-presidente da Câmara Municipal, Angela Adriana da Krindges da Mota, conhecida como Hiti, e uma das concorrentes na disputa deste domingo. A eleição suplementar não altera a escolha de vereadores de 2020.

– Tem gente que acha ruim ter nova eleição, ainda mais com a pandemia. Mas se decidiram assim, a gente vai e vota de novo – conta Valdemar da Silva, o Tite.

Com 17 anos, Yasmin Macedo, também está decidida a comparecer na seção eleitoral no domingo:

– Vou repetir o meu voto – conta a estudante.

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Moradores da localidade de Serra Grande, o casal Jose e Silvio Rogério Vieira vê a eleição suplementar deste domingo como uma nova oportunidade
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Para o casal Jose e Silvio Sérgio Vieira é uma nova oportunidade:

– A gente tinha uma expectativa que não aconteceu. Por isso, decidimos mudar o voto – contam os moradores da localidade de Serra Grande.

Apesar do clima das ruas, os candidatos estão preocupados com a possibilidade de abstenção ser maior do que na eleição de 2020, e que chegou a 10,40%. Mas se depender de Ina Boll Felipe isso não vai acontecer:

– Nossa família gosta de participar da política. Eu até marquei salão para arrumar os cabelos e estarei votando com muita confiança– diz ela.

Disputa com diferencial e observação internacional

Além de ocorrer quase seis meses após o começo das novas administrações municipais, a disputa tem um diferencial. Pela primeira vez um pleito suplementar no país será acompanhado por observadores internacionais integrantes das Organizações Não Governamentais (ONGs) Transparencia Electoral e Conferencia Americana de Organismos Electorales Subnacionales por la Transparencia Electoral (Caoeste). Os observadores são dos Estados Unidos, Cuba, Venezuela e El Salvador.

A instituição argentina tem como objetivo garantir os direitos políticos dos cidadãos nos processos de eleições transparentes e justas, desenvolvendo ações de voluntariado para observação, participação e transparência eleitoral. A Caoeste é a entidade que acompanha o processo democrático e a realização de eleições em todos os países das Américas. A finalidade é levantar aspectos que possam melhorar o sistema eleitoral como um todo, bem como aferir a integridade dos processos eleitorais.

Observadores internacionais falam sobre a eleição suplementar de Petrolândia em vídeo:

De acordo com o TRE-SC, duas urnas eletrônicas serão auditadas, sendo uma submetida à auditoria de verificação da autenticidade e integridade dos sistemas instalados e a outra à auditoria de funcionamento em condições normais de uso. É a primeira vez que esse tipo de procedimento acontece no país em uma eleição suplementar municipal. O sorteio das urnas será às 15h deste sábado, dia 12, no Colégio Estadual Hermes Fontes, por meio de um evento público.

No domingo, dia 13, antes do pleito iniciar, na seção eleitoral onde se encontra uma das urnas sorteadas será verificado se as assinaturas digitais dos sistemas lacrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em outubro do ano passado, conferem com as assinaturas constantes na urna auditada.

O equipamento emitirá o relatório dos resumos digitais dos arquivos nele instalados, que poderão ser conferidos um a um, a qualquer tempo, pelos fiscais dos partidos e dos representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público, com os resumos digitais publicados no Portal do TSE.

Durante a votação, que acontece das 7h às 17h, os votos computados em cédulas de papel no sábado em votação simulada serão registrados na outra urna sorteada para essa finalidade e, paralelamente, em um computador à parte. Ao final, será feita a comparação dos dois resultados: o da apuração por meio do boletim da urna eletrônica e o da soma dos votos das cédulas de papel. O objetivo é comprovar que não houve adulteração, subtração ou acréscimo na votação eletrônica.

“Nem os moradores percebem a magnitude”, diz professor

A vinda dos observadores de diferentes países para Petrolândia ilustra a importância do direito ao voto e que essa conquista precisa continuar acima de qualquer suspeita. Por fim, que o voto impresso representaria um retrocesso para o país. A avaliação é do professor Egon José Schiestl, que dá aulas para estudantes do Ensino Fundamental e Médio na cidade.

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Egon resume ação da Justiça Eleitoral: transparência e idoneidade
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Formado em Sociologia, Teologia e História, o professor Egon lamenta que devido à pandemia não conseguiu trabalhar o tema como gostaria com os alunos já que devido a uma comorbidade as aulas são remotas.

– Talvez nem os próprios moradores tenham percebido a magnitude deste evento. Vivemos numa cidade do interior e, além de urnas serem auditadas, os observadores levarão para outros países a experiência local – observa o professor.

Para Egon, duas palavras resumem a iniciativa da Justiça Eleitoral ao escolher o pleito para ser acompanhado por estudiosos internacionais: transparência e idoneidade.

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Marinho torce para que a experiência com observadores seja positiva
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Ainda que torça para que a experiência com os observadores estrangeiros seja positiva, o professor aposentado Mario Gilberto de Sousa, conhecido como Marinho, se mostra cético com relação ao pensamento do presidente Jair Bolsonaro a respeito da lisura da votação eletrônica por estar pensando na eleição de 2022. Para ele, o presidente busca uma “válvula de escape” caso não seja reeleito:

– Sou confiante na lisura do processo, mas creio que o presidente não irá mudar o seu modo de pensar a partir do que for realizado em Petrolândia – diz ele.

Para Marinho, “se nem na vacina ele acredita, imagina mudar de pensamento a partir de uma experiência que tem pouca amplitude se considerado a número de urnas e de votos auditados”, diz.

Em 1962, quando ocorreu a primeira eleição no município, Marinho tinha cinco anos e viu o pai se tornar vereador. Mais tarde, ele e uma irmã também se elegeram para a Câmara Municipal. Aposentado como professor de Educação Física, Marinho não está diretamente envolvido com a eleição suplementar, mas vai votar.

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