Um dos grandes entusiastas da exploração espacial mudou o foco para os próximos anos. O bilionário americano Elon Musk, dono da SpaceX, empresa fabricante de foguetes, afirmou que, embora não tenha desistido da ideia de colonizar Marte, passou a ter uma nova meta: montar uma cidade sustentável na Lua.

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A declaração de Elon Musk foi dada no domingo, dia 8 de fevereiro. O bilionário afirmou que a SpaceX já trabalha há algumas semanas no planejamento e desenvolvimento do que chamou de Moon Village (Vila Lunar, na tradução livre do inglês), e que acredita que seja possível montar essa cidade sustentável na Lua em menos de 10 anos.

A mudança de foco se baseou no tempo de viagem para a Lua e também para Marte. Enquanto uma viagem para o Planeta Vermelho leva cerca de 6 a 9 meses e só pode ocorrer em intervalos superiores a dois anos, a Lua está a apenas 3 dias de distância.

Ainda de acordo com as declarações de Elon Musk, a SpaceX pretende dar início à montagem da cidade sustentável na Lua em cinco ou, no máximo, sete anos. O novo foco do bilionário corrobora uma reportagem do jornal Wall Street publicada na sexta-feira, que informou que o empresário disse aos investidores que daria prioridade à ida à Lua e tentaria uma viagem a Marte posteriormente, com o objetivo de realizar um pouso lunar não tripulado em março de 2027 – com informações do G1.

O plano de Elon Musk

Montar uma cidade sustentável na Lua é, mais do que uma ambição, parte da estratégia para estabelecer o que Elon Musk chama de “vida multiplanetária”. A estrutura na superfície lunar servirá de base para futuras missões, inclusive para Marte.

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Montar uma infraestrutura que permita a permanência humana por longos períodos na Lua é fundamental para otimizar logística e reduzir custos das missões espaciais – mesmo que a construção dessa cidade sustentável exija investimentos na casa das centenas de bilhões de dólares.

Lançar um foguete da Lua para Marte, por exemplo, é significativamente mais fácil, rápido e exige menos combustível do que um disparo da Terra. Isso porque a nave não precisaria superar barreiras como a nossa atmosfera, e também enfrentaria uma gravidade muito menor. Como precisa de menos energia, os foguetes podem ser muito menores dos que os usados em decolagens do nosso planeta – e isso reduziria os custos de produção.

A parceria com a NASA e a geração de energia

Elon Musk não está sozinho no projeto de montar uma infraestrutura na Lua. A NASA, agência espacial americana, também tem planos de estabelecer bases na superfície do nosso satélite natural – as missões Artemis estão acontecendo com esse objetivo.

A ideia da NASA é montar uma estrutura que conte, inclusive, com residências (as chamadas casas de vidro) na Lua, que possam abrigar astronautas por longos períodos no espaço. O projeto também é facilitar futuras missões espaciais para Marte e outros astros no Sistema Solar, como a Lua Europa, de Júpiter, e Titã, de Saturno – mundos que podem ser habitáveis para algumas formas de vida.

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Mas não é apenas para facilitar futuras missões espaciais que a NASA e a SpaceX planejam montar infraestruturas na Lua. A possibilidade de gerar energia solar para abastecimento de data centers no espaço e, principalmente, a extração de Hélio-3, talvez sejam os grandes objetivos desses planos ambiciosos.

O Hélio-3 é um isótopo raríssimo na Terra, mas encontrado em abundância na superfície da Lua. Ele pode ser usado para fusão nuclear e, diferente da fissão (que usamos hoje e gera lixo radioativo), a fusão com Hélio-3 geraria energia limpa, segura e praticamente infinita.

Estima-se que apenas 25 toneladas de Hélio-3 poderiam abastecer os Estados Unidos inteiro por um ano. Trazer esse mineral para a Terra é um dos objetivos de longo prazo para revolucionar a matriz energética global.

Vale destacar que a NASA e a Spacex já são parceiras. A agência espacial americana selecionou a empresa de Elon Musk para ser o transporte oficial da missão Artemis 3, prevista para ocorrer em 2027, quando astronautas vão pousar na superfície da Lua a bordo do foguete Starship.

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Sustentabilidade

A Vila Lunar, segundo o projeto de Elon Musk, será autossustentável. Dois grandes fatores podem ajudar nessa meta: o primeiro é o uso da chamada poeira lunar como um “cimento” para as construções, evitando a necessidade do envio desses materiais aqui da Terra. O outro é a possibilidade de minerar gelo nos polos para gerar oxigênio e combustível.

Esses fatores, somados à geração de energia solar em painéis ultra-leves e também por meio da fusão nuclear do Hélio-3, fariam da cidade na Lua uma infraestrutura autossustentável, sem a necessidade de usar os já limitados recursos da Terra.