Em 2025, ao menos 18 pessoas morreram após contrair o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em Santa Catarina. Das vítimas, 12 eram bebês e crianças de idade entre zero e nove anos, conforme dados do Centro de Informações Estratégicas para a Gestão do SUS (Cieges SC) até o fim de junho. Em relação aos casos, são 1.825 confirmados, sendo 1.555 na mesma faixa etária dos óbitos pelo vírus. Um número que traz um alerta para a saúde, principalmente devido a demora na implantação de uma nova vacina contra o vírus.

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A vacina contra o VSR, dada em gestantes para proteger os bebês nos primeiros meses de vida, ainda não chegou a Santa Catarina, apesar de incorporada pelo Ministério da Saúde em fevereiro. Procurada, a Secretaria do Estado da Saúde (SES) informou que a compra e distribuição do imunizante é de responsabilidade do Ministério. Já a pasta afirmou que a vacina deve chegar à população a partir do segundo semestre.

O VSR é um agente infeccioso que ataca os pulmões e as vias respiratórias. Segundo o Ministério da Saúde, o vírus é especialmente comum em bebês e crianças pequenas. Dados do boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) semanalmente, mostram que as infecções causadas por VSR são uma das principais responsáveis por casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em crianças.

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Bebês são maioria nas internações por doenças respiratórias no Hospital Infantil de Florianópolis

Além disso, dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) indicam que o VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e até 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Estima-se, ainda, que uma em cada cinco crianças infectadas pelo VSR necessite de atendimento ambulatorial, enquanto uma em cada 50 seja hospitalizada no primeiro ano de vida.

Entre 2018 e 2024, foram registradas 83.740 internações de bebês prematuros (menos de 37 semanas) devido a complicações relacionadas ao vírus, como bronquite, bronquiolite e pneumonia.

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Mesmo com a incidência alta entre bebês e crianças, o vírus pode afetar pessoas de qualquer idade. De acordo com o Ministério da Saúde, ele se espalha facilmente, sendo transmitido de uma pessoa para outra quando alguém tosse ou espirra, ou ao tocar superfícies e objetos contaminados.

Ministério da Saúde anuncia novos métodos de prevenção

Até então, a principal opção disponível para a prevenção do VSR no SUS era o medicamento palivizumabe, destinado a bebês prematuros extremos (com até 28 semanas de gestação) e crianças com até dois anos de idade que apresentassem doença pulmonar crônica ou cardiopatia congênita grave. No entanto, em fevereiro deste ano, um anúncio do Ministério da Saúde prometia mudar esse cenário.

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No dia 17 daquele mês, a pasta anunciou que incorporaria duas novas tecnologias para prevenir complicações causadas pelo VSR.

Uma delas era um anticorpo monoclonal nirsevimabe, indicado para proteger bebês prematuros e crianças até dois anos nascidas com comorbidades. A segunda era uma vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B, dada em gestantes para proteger os bebês nos primeiros meses de vida. Ambas foram avaliadas durante a 137ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que considerou o impacto positivo dessas medidas na prevenção de hospitalizações e óbitos infantis, segundo a pasta.

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Entenda as tecnologias

O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal que fornece proteção imediata contra o VSR, sem necessidade de estimular o sistema imunológico da criança a produzir seus próprios anticorpos. Isso, segundo a pasta, o torna especialmente útil para bebês prematuros e crianças com menos de dois anos que apresentam comorbidades.

Já a vacina recombinante contra os vírus sinciciais A e B induz uma resposta imunológica na mãe, garantindo que o recém-nascido receba anticorpos já na gestação, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade.

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A estratégia é fruto do trabalho integrado da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (SAPS), do Programa Nacional de Imunizações (SVSA) e do Departamento de Assistência Farmacêutica (SECTICS).

O que diz a SES

O medicamento nirsevimabe, estratégia anunciada para estimular o sistema imunológico da criança a produzir seus próprios anticorpos, deve ser aplicado em Santa Catarina a partir do ano que vem, segundo a SES. Por enquanto, segue sendo utilizado o palivizumabe, já disponibilizado no Estado há muitos anos.

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Já a implantação da vacina contra o VSR está em processo de incorporação. A SES reforçou que a compra e distribuição de todas as vacinas do Calendário Nacional de Vacinação é de responsabilidade do Ministério da Saúde, conforme definido em legislação federal.

Entenda o processo de incorporação

Dizer que a vacina está em fase de incorporação significa dizer que ela já passou por todas as etapas de avaliação e foi aprovada para ser incluída no SUS e, depois, disponibilizada à população.

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As etapas do processo incluem:

  1. Avaliação pela Anvisa: a vacina precisa ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para registro e comercialização no Brasil;
  2. Análise pela Conitec: a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avalia a vacina, considerando critérios técnicos, científicos e econômicos, para recomendar ou não a sua incorporação ao SUS;
  3. Decisão do Ministério da Saúde: com base na recomendação da Conitec, o Ministério da Saúde decide sobre a incorporação da vacina ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) ou a outras políticas de saúde;
  4. Disponibilização à população: uma vez incorporada, a vacina passa a ser oferecida gratuitamente à população pelo sistema público de saúde. 

Procurado pelo NSC Total, o Ministério da Saúde informou que a vacina contra o VSR está prevista para ser disponibilizada à população a partir do segundo semestre deste ano.

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Leia da nota da SES na íntegra

“Com relação ao questionamento, esclarecemos que o Ministério da Saúde anunciou duas ações contra o VSR.

A mudança da profilaxia passiva com anticorpo monoclonal é para proteger bebês prematuros e crianças até 2 anos nascidas com comorbidades. A estratégia é que o anticorpomonoclonal seja aplicado a partir do ano que vem. Para este ano segue sendo usado o anticorpo palivizumab, o que já era disponibilizado há muitos anos.

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Já a implantação da vacina contra o VSR é para gestantes e idosos, que está em processo de incorporação, com prazo de 180 dias.

Lembrando que a compra e distribuição de todas as vacinas do Calendário Nacional de Vacinação é de responsabilidade do Ministério da Saúde, conforme definido em legislação federal. Às Secretarias Estaduais de Saúde compete o recebimento dos imunobiológicos e envio aos municípios, o que ocorre sem nenhuma intercorrência no Estado de Santa Catarina“.

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Leia a nota do Ministério da Saúde na íntegra

Incorporada recentemente ao SUS, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) está prevista para ser disponibilizada à população a partir do segundo semestre deste ano. Bebês nascidos no Brasil poderão ser protegidos por meio dessa nova tecnologia, e gestantes também receberão uma dose da vacina, que confere proteção aos bebês por até seis meses após o nascimento.

Em maio, o Ministério da Saúde iniciou a campanha de vacinação contra a gripe e realizou o Dia D para reforçar a cobertura vacinal em crianças, gestantes e idosos. Em um único dia, foram aplicadas 1,5 milhão de doses — número três vezes maior que a média diária.

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A vacinação contra a gripe está ativa em todo o país, com aplicação gratuita pelo SUS e distribuição de mais de 65 milhões de doses. A recomendação do Ministério da Saúde é que estados e municípios realizem a busca ativa dos grupos prioritários, como crianças, idosos e gestantes, e ampliem a vacinação para todos que procurarem os postos de saúde. Casos de bronquiolite podem ser reduzidos com a imunização contra a gripe.

Em maio, o Ministério da Saúde anunciou um incentivo anual de R$ 100 milhões para fortalecer o atendimento a crianças com vírus respiratórios no SUS. Dentre os estados que solicitaram o incentivo para o público infantil, Santa Catarina recebeu R$ 1,62 milhão para 10 leitos, e o Rio Grande do Sul, R$ 12,63 milhões para 78 leitos. Neste mês, mais R$ 50 milhões foram liberados pela pasta para fortalecer o atendimento a adultos. O total de recursos temporários chega a R$ 150 milhões”.

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*Sob supervisão de Luana Amorim

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