Os setores de serviços de alimentação, vigilância e segurança estão entre os que lideram o volume de empregabilidade feminina no Brasil. Isso é o que mostra o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado na última segunda-feira (28). O documento aponta que o número de mulheres no mercado de trabalho cresceu 11% em relação às pesquisas anteriores, embora ainda persista uma desigualdade salarial de 21,3% entre homens e mulheres

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FOTOS: o cenário da empregabilidade feminina no Brasil

Crescimento da empregabilidade feminina

A quantidade de mulheres no ambiente de trabalho cresceu de forma significativa. Os dados mostram que dentro desses 11%, as mulheres negras (pretas e pardas) tiveram um crescimento de empregabilidade de 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o que representa mais de 1 milhão de ocupadas.

Os números também apontam para o crescimento na contratação de:

  • Mulheres indígenas: de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025.
  • Mulheres vítimas de violência: de 5,5% para 10,5%.

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A pesquisa também indica que 7% dos estabelecimentos afirmam contratar mulheres em situação de violência.

Setores com maior volume de contratações

O mercado de trabalho brasileiro apresenta uma concentração expressiva da força de trabalho feminina em atividades voltadas à prestação de serviços. Esta tendência reflete tanto a demanda por mão de obra em áreas específicas quanto a transição de funções para setores que, historicamente, vêm revisando suas políticas de inclusão e flexibilidade.

Os segmentos que lideram o volume de contratações de mulheres são:

  • Serviços de alimentação (17,8%): O setor de bares, restaurantes e catering mantém-se como o maior empregador, impulsionado pela retomada do consumo presencial e pela capilaridade dos serviços de alimentação fora do lar.
  • Atividades de vigilância e segurança (16,2%): Este segmento registra um avanço significativo, com maior integração feminina em funções de monitoramento, controle de acesso e segurança privada, setores anteriormente dominados quase exclusivamente por homens.
  • Serviços de reparação e manutenção de equipamentos (13,6%): A especialização técnica em manutenção de dispositivos eletrônicos e domésticos tem atraído um contingente crescente de mulheres, acompanhando a profissionalização do setor.
  • Serviços para edifícios e paisagismo (13,1%): Inclui desde a gestão condominial até projetos de urbanização e conservação de áreas verdes, onde a organização e o gerenciamento de serviços têm sido diferenciais competitivos.

Essa composição setorial sugere que, embora o crescimento seja notável, ainda há uma concentração da ocupação feminina em setores com diferentes níveis de remuneração média, o que dialoga diretamente com o desafio da equidade salarial.

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Impacto da Lei de Igualdade Salarial

Os dados mostram que após a Lei nº 14.611, sancionada em 3 de julho de 2023, que reforça a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre homens e mulheres, houve um aumento de políticas internas nesse período:

  • Jornada flexível: de 40,6% para 53,9%.
  • Auxílio-creche: de 22,9% para 38,4%.
  • Licenças-maternidade e paternidade estendidas: de 20% para 29,9%.
  • Plano de cargos e salários: de 55,5% para 66,8%.
  • Metas de produção: de 63,8% para 75,7%.

Desempenho regional da desigualdade

Os estados com menor desigualdade, segundo dados publicados pela pesquisa, são:

  • Acre (91,9%)
  • Piauí (92,1%)
  • Distrito Federal (91,2%)
  • Ceará (90,5%)
  • Pernambuco (89,3%)
  • Alagoas (88,8%)
  • Amapá (86,9%)

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Os com maior desigualdade salarial são:

  • Paraná (71,3%)
  • Espírito Santo (70,7%)
  • Rio de Janeiro (71,2%)

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.