Um empresário natural de Tubarão, no Sul de Santa Catarina, Jonathan Martins, de 33 anos, foi escolhido para liderar a entrada de uma das maiores redes de açaí do mundo nos Estados Unidos em um modelo pouco comum: a internacionalização conduzida por um franqueado, e não pela própria marca. 

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Com oito unidades no Brasil e faturamento de R$ 6 milhões em 2025, ele vai investir cerca de 350 mil dólares (aproximadamente R$ 1,7 milhão em conversão direta) para abrir a primeira operação na Flórida, apostando no self-service, formato popular no Brasil, mas ainda pouco explorado no mercado norte-americano.

O convite veio há menos de um ano. Martins explicou que foi convidado pelo CEO da The Best Açaí, Sérgio Kendy, junto a outros dois franqueados, um de São Paulo e outro do Rio Grande do Sul.

Ele acredita que foi escolhido devido aos bons resultados entregues até aqui:

— Sempre busquei crescer com organização e padronização, mesmo com as unidades sendo autogerenciáveis. Acho que isso passou confiança para os donos da marca de que eu poderia participar desse movimento com eles — explicou Jonathan ao NSC Total.

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A primeira expansão da marca será feita com seis unidades, sendo três operadas pela própria rede, e as outras três cada uma operada pelos franqueados. A previsão é que a primeira loja liderada por Jonathan seja inaugurada no segundo semestre de 2026.

Faturamento acima da média na rede de açaí

Os resultados da franquia de Martins representam um faturamento acima da média. O valor engloba seis unidades em operação ao longo de 2025, incluindo três lojas inauguradas recentemente.

— Se todas as unidades estivessem trabalhando o ano inteiro, eu teria um faturamento maior, provavelmente ultrapassando R$ 8 milhões — explicou.

Atualmente, Jonathan é um dos maiores franqueados da marca no Brasil, com oito unidades em operação, sendo uma em Criciúma, e sete no Espírito Santo. A unidade catarinense está localizada na Avenida Centenário, na região central da cidade.

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Ele está entre os operadores de maior destaque da rede, e é o principal franqueado da marca no Espírito Santo.

De lojista de roupas ao setor de alimentação

Antes de entrar no ramo do açaí, Martins já empreendia em outras áreas:

— Tive duas lojas de roupas da marca Hering em Tubarão, que eram o meu principal foco na época. Também tive uma operação no setor alimentício, com um restaurante de sushi em Braço do Norte […]. Além disso, tenho há 6 anos uma clínica de estética junto com a minha esposa.

Mesmo com a experiência anterior, Jonathan enfrentou desafios e dificuldades quando entrou no novo setor. Ele acredita que a parte mais árdua é a gestão das equipes, que há uma operação que funciona todos os dias da semana, na escala 12×36. O empresário acredita que o modelo de trabalho exigente impacta diretamente na contratação e retenção de funcionários, mesmo que tenha o apoio de uma empresa focada na área de Recursos Humanos.

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Ainda assim, o profissional vê a expansão como um passo natural em sua trajetória.

— Sempre tive vontade de ter uma empresa nos Estados Unidos, de viver essa experiência como empresário lá fora. Então, para mim, é uma continuidade do que eu já vinha construindo no Brasil — destacou.

Expansão para os EUA

Apesar do açaí já ser conhecido nos Estados Unidos, o formato self-service ainda é pouco explorado por lá. Apesar de conhecida, a fruta não integra a cultura alimentar local como no Brasil, o que exige investimento em posicionamento e educação do consumidor.

Nesse movimento de crescimento internacional, a The Best Açaí vem ampliando sua estrutura e capacidade de expansão. A marca já ultrapassa 1.100 lojas e movimentou cerca de R$ 2 bilhões nos últimos anos. Recentemente, recebeu o primeiro aporte da sua história, de R$ 80 milhões, feito pelo fundo de private equity Auster Capital.

Parte dos recursos será destinada à ampliação da planta industrial, que passará a produzir também cremes e recheios, além da construção de uma segunda fábrica. O investimento é considerado estratégico para sustentar a meta de chegar a 1.500 unidades até o fim de 2026 e avançar no processo de internacionalização da rede.

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Nesse cenário, Jonathan avalia que a escolha da Flórida é estratégica: além do clima ensolarado durante boa parte do ano, semelhante ao de países latino-americanos, o estado concentra uma forte comunidade latina, público que já tem maior familiaridade com a fruta e pode funcionar como porta de entrada para ampliar sua aceitação entre os norte-americanos.

— É um momento muito especial na minha carreira. Viver isso agora tem sido muito marcante. Além da expansão, também é uma fase importante na minha vida pessoal, com o nascimento do meu segundo filho e o crescimento da minha família. Hoje, não me vejo sem esse movimento de empreender nos Estados Unidos, mantendo ao mesmo tempo as operações no Brasil — concluiu.