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    Compras emergenciais 

    Empresário que intermediou venda de respiradores para SC tem contratos com outros Estados, diz site 

    Médico teria representado a Veigamed, contratada pelo governo de SC em processo sob investigação, e também presta serviços ao poder público com outra empresa

    15/05/2020 - 04h20 - Atualizada em: 15/05/2020 - 14h41

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    Por Jean Laurindo
    Investigação sobre compra de respiradores motivou operação com 35 mandados de busca no último sábado
    Investigação sobre compra de respiradores motivou operação com 35 mandados de busca no último sábado
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    O médico e empresário paulista Fábio Deambrosio Guasti é apontado pela investigação como um dos principais responsáveis por intermediar a venda dos 200 respiradores da empresa Veigamed para o governo de Santa Catarina. O Estado pagou R$ 33 milhões de forma adiantada pelos equipamentos, mas os primeiros 50 ventiladores pulmonares só chegaram nesta quinta-feira a SC – e agora são alvo de apreensão a pedido do próprio governo.

    Uma reportagem do portal The Intercept Brasil publicada nesta sexta-feira informa que o empresário Fábio Guasti também possui contratos com o governo do Pará e de Goiás.

    Segundo a investigação que apura irregularidades na compra dos respiradores, o ex-secretário da Casa Civil de SC, Douglas Borba, teria indicado o nome de Fábio como representante que poderia fornecer os ventiladores para a servidora Márcia Geremias Pauli, que operava o processo de compra. O ex-secretário nega.

    Embora não figure como sócio da empresa Veigamed, foi Fábio quem encaminhou a proposta da empresa que acabou sendo escolhida e “atuou em nome da Veigamed durante todas as tratativas que antecederam a contratação”, segundo trecho do inquérito.

    Já os contratos no Pará e em Goiás teriam sido firmados também de forma emergencial, com outra empresa na qual Fábio aparece oficialmente como sócio, a Meuvale Gestão Administrativa. A contratação seria para fornecer vale alimentação a estudantes durante a pandemia do novo coronavírus.

    Somente no caso do Pará, conforme o The Intercept Brasil, o contrato poderia render R$ 21,5 milhões em três meses.

    Além desses dois Estados, a empresa de Fábio também possuía contrato com a Prefeitura de Florianópolis. Na segunda-feira (11), após o nome do empresário aparecer na investigação da compra dos respiradores, o município informou o cancelamento da contratação. A prefeitura alega que o acordo, firmado em 31 de março, não tinha custo para o município, e que os R$ 398 mil repassados à empresa correspondiam apenas aos benefícios depositados como crédito no cartão de vale alimentação dos estudantes e beneficiários. A contrapartida da empresa ocorreria na porcentagem das compras feitas.

    Ex-jogador da seleção diz ter intermediado contato com prefeituras de SC

    A reportagem do The Intercept Brasil também cita que no anúncio do contrato da prefeitura de Florianópolis com a Meu Vale, o ex-jogador do Figueirense, Corinthians, Flamengo e da seleção brasileira, André Santos, atuou como garoto-propaganda. O ex-jogador afirmou à reportagem do site ser amigo de Guasti e também compadre de Gilliard Gerent, morador de Biguaçu que é investigado por também ter representado a Veigamed em uma reunião feita para o Estado cobrar a entrega dos respiradores após a compra.

    O ex-jogador disse à reportagem do The Intercept Brasil que teria atuado como uma espécie de cartão de visitas para a empresa de Guasti em SC por ter contatos em prefeituras.

    Ele também afirmou que teria intermediado negociações para adesão do cartão em Blumenau e Tubarão. André Santos, no entanto, disse não saber nada sobre a venda dos respiradores e que essa negociação não foi feita pela Meu Vale.

    Em nota nesta sexta-feira, o prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli (PP), afirmou que a prefeitura não fez qualquer compra ou contratação com as empresas citadas na reportagem do The Intercept Brasil nem teve qualquer contato com o ex-jogador André Santos e com os outros empresários citados na matéria.

    A prefeitura afirmou que as compras emergenciais durante a pandemia são divulgadas na internet e que as cestas básicas e alimentos fornecidos a pessoas carentes e estudantes são entregues de forma presencial, sem uso de nenhum cartão de benefícios.

    A prefeitura de Blumenau também divulgou nota afirmando que o município não tem nem teve nenhum contrato com a empresa Meu Vale ou com outras empresas e empresários citados na reportagem do The Intercept Brasil.

    A prefeitura informou que recebeu uma visita de André Santos, mas ele teria sido acompanhado por dirigentes do Clube Atlético Metropolitano e o encontro seria para apresentar uma parceria entre o time de futebol da cidade e o ex-jogador.

    Por fim, a prefeitura de Blumenau também informou que não utiliza cartão de alimentação e que kits de alimentação escolar são entregues de forma presencial nas escolas.

    No portal da transparência dos municípios de Blumenau e Tubarão, não consta nenhum contrato com a empresa de cartões de Fábio.

    Empresário nega ligação com Veigamed e compra de respiradores

    Fabio Guasti é médico e responde por mais seis empresa além da Meu Vale. Ele não aparece no quadro de sócios da Veigamed, mas segundo trecho da investigação do Ministério Público de SC que apura a compra dos ventiladores pulmonares, “é absolutamente inegável sua participação na negociação dos respiradores, possivelmente como um dos ‘donos de fato’ da empresa de fachada”.

    Trecho da investigação sustenta que Fábio representou a Veigamed em compra de respiradores
    Trecho da investigação sustenta que Fábio representou a Veigamed em compra de respiradores
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    O intermediário da compra dos respiradores vive em Guarulhos (SP), mas tem negócios como uma empresa que aluga ambulância e uma administradora de shopping center.

    À reportagem do The Intercept Brasil, Guasti disse não ter envolvimento com a Veigamed e sequer saber da compra dos 200 respiradores pelo governo de SC.

    – Eu não conheço a empresa e não tenho ligação nenhuma com isso. Não sei porque estão citando meu nome – afirmou ao site.

    Empresas usaram mesmo serviço de contabilidade

    Embora negue conhecer a empresa, Guasti teria contribuído com o início da atuação da Veigamed em Santa Catarina. A reportagem do The Intercept Brasil mostra que o contador responsável por abrir a filial da Meu Vale em Florianópolis foi também contratado para o fazer o mesmo serviço para a Veigamed.

    A contratação teria sido solicitada por um funcionário da Meu Vale, que não teve a identidade revelada na reportagem. O profissional de contabilidade tem escritório em Biguaçu, na Grande Florianópolis.

    Em nota enviada ao Intercept, a própria Veigamed confirmou que Guasti atuou “pontualmente neste negócio com a sua experiência profissional por meio de consultoria”.

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