As projeções do governo do Estado apontam que a enchente prevista para os próximos dias nas regiões de Blumenau e Rio do Sul deve ser prolongada e ter ainda um terceiro pico. As informações são do coordenador de Alerta e Monitoramento de Cheias da Secretaria de Estado da Defesa Civil de Santa Catarina, Frederico de Moraes Rudorf.

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Rio do Sul entrou em situação de enchente na quarta-feira (4) à tarde, quando o Itajaí-Açu atingiu 7,5 metros. O leito do rio só voltou à calha nesta quinta (5) à noite. Blumenau atingiu a cota de inundação, de 8 metros, na noite de quarta (4) e só baixou dessa marca por volta das 11h de quinta (5). Esse teria sido o primeiro pico, conforme a Defesa Civil de SC.

Uma nova previsão indica cerca de 200 milímetros de chuva no Vale do Itajaí entre sexta-feira (6) e domingo (8). O cenário pode fazer o Rio Itajaí-Açu chegar aos 11 metros em Rio do Sul e 12 em Blumenau — onde a Defesa Civil de Blumenau estima aproximadamente 10 mil imóveis e 38,5 mil pessoas afetadas. Seria, então, o segundo pico da inundação.

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Caso os volumes se confirmem, a Defesa Civil do Estado acredita que as barragens de Taió e Ituporanga podem verter, como em outubro do ano passado. Segundo Rudorf, o vertimento não é incomum. Ele explica que quando isso acontece, a lâmina de água que começa a passar por cima da estrutura é fina, vai se espalhando para as laterais em baixa velocidade e ampliando a área de armazenamento da barragem.

— Cada centímetro que a gente coloca acima do vertedouro, são milhares de metros cúbicos que estamos evitando de chegar na bacia rapidamente. É um processo relativamente controlado. A única questão é que depois, a cada novo evento de chuva, a bacia toda vai ficando com muito acúmulo de água e isso pode fazer com que a gente tenha uma cheia um pouco mais prolongada. Mas as barragens estão cumprindo o papel delas — afirma.

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Ainda conforme o coordenador de Alerta e Monitoramento de Cheias de SC, não há previsão de a barragem de José Boiteux verter. A estrutura é maior de contenção de enchente no Estado, está com as duas comportas abertas e não será operada, segundo o secretário de Defesa Civil de Santa Catarina, coronel Armando. Ele tem articulado com a comunidade indígena para recuperar a estrutura construída pelo governo Federal dentro de uma terra legalmente demarcada.

Para quarta-feira (11), os meteorologistas apontam a chegada de mais uma frente fria trazendo chuva volumosa, que pode chegar a casa dos 100 milímetros. Com o rio já bastante cheio, esse deve ser o terceiro pico da água, o que deve tornar a “cheia mais prolongada”, aponta Rudorf.

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— A perspectiva é que depois dessa onda [do fim de semana] vai estabilizar, começar a descer e daí vem outra [chuva] e vai subir o nível do rio de novo na semana que vem. Devemos ficar em nível de enchente ao longo da semana toda, até sair fora da cota de emergência dos municípios. A gente deve ter uma enchente prolongada, sim — frisa.

Rudorf ressalta, porém, que são projeções e os cenários podem mudar ao longo dos próximos dias. A expectativa é de que na semana de 15 de outubros a chuva dê uma trégua.

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