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Erosão ameaça casas e interdita construções no Morro das Pedras, em Florianópolis

Avanço do mar combinado à maré alta provoca forte deslizamento nas últimas semanas; nove edificações estão interditadas

28/05/2021 - 08h35 - Atualizada em: 28/05/2021 - 10h36

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Jean
Por Jean Laurindo
Moradores do Morro das Pedras colocaram sacos de areia para amortecer impacto das ondas
Moradores do Morro das Pedras colocaram sacos de areia para amortecer impacto das ondas
(Foto: )

Um processo de erosão que se intensificou nas últimas semanas ameaça casas de desmoronamento e provoca a interdição de nove edificações no Morro das Pedras, no Sul da Ilha, em Florianópolis.

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Moradores relatam que o avanço do mar combinado com a maré alta provocou estragos nas últimas duas semanas. Segundo a Defesa Civil de Florianópolis, dois ciclones extratropicais que atingiram a costa brasileira acentuaram essas condições do mar a partir do dia 10 de maio.

A situação já causou danos a pelo menos 12 propriedades, segundo a Defesa Civil, e nove edificações já foram interditadas. Três delas são casas, e uma delas estava a apenas 50 centímetros da encosta na noite desta quinta-feira (27), segundo o gerente de Operação e Assistência da Defesa Civil, Alexandre Vieira.

Na noite desta quinta-feira, segundo a Defesa Civil, a maré causou mais buracos que chegaram a um metro em algumas áreas.

O município alega que não é possível fazer contenções com pedras, muros ou outros materiais rígidos. De forma emergencial, a Defesa Civil autorizou a colocação de sacos de areia que ajudam a amortecer o impacto das ondas. Desde então, os próprios moradores se revezam para colocar os sacos de areia duas vezes por dia – até mesmo durante a madrugada.

Os moradores protestam pedindo auxílio do município para tentar amenizar a situação. Fecharam por duas vezes nesta semana uma rua e a rodovia SC-406, e preparam nova manifestação com bloqueio do trânsito para sábado (29), 14h.

A Defesa Civil de Florianópolis afirma que está monitorando a situação no local buscando a proteção da praia, e que também já foi oferecido atendimento de assistência social e oferta de vagas em hotel para quem precisou deixar as residências. No entanto, por serem construções privadas, as medidas de contenção e uma eventual recuperação futura devem ser providenciadas pelos próprios moradores, segundo o gerente Alexandre Vieira.

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– A Defesa Civil está protegendo a praia, que não caia sobre a praia, e consequentemente para que não caiam as residências – afirma.

André Luiz Vieira, morador do bairro que acompanha a situação e ex-presidente de uma associação formada pela comunidade, acredita que a contenção emergencial feita pelos moradores poderia ter uma resposta mais rápida com auxílio do poder público.

– A gente sabe que não dá para resolver, mas tem que ser mitigada a situação, de forma técnica e responsável – afirma.

“Receita de desastre”, diz morador

Não foram só as casas que sofreram com o avanço da erosão. Árvores e dois postes que suportavam a iluminação da orla também caíram e ficaram sob o mar. A prefeitura irá ao local nesta sexta-feira para definir como fará a retirada. Moradores também foram notificados e deverão retirar materiais e restos de construção que tenham ficado sobre o espaço que nas últimas semanas vem sendo ocupado pelo mar. Essa retirada, no entanto, só deve ocorrer depois que houver o recuo das águas.

Por enquanto, a região de cerca de 200 metros onde o problema está instalado está isolada. Nas casas mais próximas ao ponto onde ocorre a erosão, os móveis foram retirados. Os próprios moradores do bairro instalaram placas alertando sobre a interdição e o risco de morte que as pessoas correm ao permanecerem perto da encosta.

– O que era plano, com postes, gurizada jogando bola, árvores, isso foi arrancado e ficou um buraco, um barranco de seis metros. Há casas trincando, rachando nesse momento a 10 metros (do mar). Nas casas que estão a um metro, os trincos são escutados da rua, que fica a 50 metros. A receita do desastre está montada – descreve o morador do bairro André Luiz Vieira.

Possível solução futura

Defesa Civil e moradores apontam que o avanço do mar pode terminar de forma breve ou demorar até dois meses. Por enquanto, a preocupação maior é com a previsão do final de semana e com a colocação dos sacos de areia para evitar mais estragos. A solução definitiva, segundo o gerente da Defesa Civil, após haver o recuo do mar, seria uma estrutura chamada de paliçada, uma espécie de recomposição da duna utilizando materiais como madeira e cabos de aço. No entanto, embora os moradores defendam que a prefeitura ajude na busca por uma resolução definitiva, essa estrutura também deveria partir dos proprietários.

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