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    Escassez de chuva em SC afeta distribuição de água e cidades já enfrentam racionamento

    Pior estiagem desde 2006 tem reflexos em todas as regiões do Estado

    28/04/2020 - 10h50 - Atualizada em: 28/04/2020 - 14h13

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    Por Guilherme Simon
    Falta de água em SC
    (Foto: )

    Cidades de Santa Catarina começam a sofrer com mais intensidade os efeitos de uma estiagem que se prolonga há meses. Segundo dados do governo estadual, em pelo menos 95 municípios catarinenses a distribuição de água está em alguma medida afetada, e o racionamento começa a virar realidade.

    Conforme a Companhia Catarinense de Água e Saneamento (Casan), que gerencia o sistema de abastecimento em 195 dos 295 municípios do Estado, a cidade de São Miguel do Oeste enfrenta uma das situações mais delicadas no momento. O abastecimento de água está sendo racionado, e é intercalado entre bairros em períodos de até 12 horas.

    No último dia 15, o prefeito Wilson Trevisan decretou situação de emergência por conta da falta de chuva, depois que o número de famílias que precisavam receber água em suas residências subiu para 70.

    As dificuldades de abastecimento são resultado de uma situação extrema. De acordo com o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram), da Epagri, 9 das 10 regiões de Santa Catarina acumularam um déficit de chuvas superior a 300 milímetros nos últimos 12 meses.

    No Meio-Oeste catarinense, o déficit chegou a 635 milímetros, enquanto que nas demais cidades do Oeste e na Serra, que também abastece Florianópolis, a escassez de chuva está próxima a 612 milímetros. Pesquisadores apontam que essa é a pior situação de estiagem no Estado desde 2006.

    Estiagem em São Miguel do Oeste
    Estiagem em São Miguel do Oeste
    (Foto: )

    Segundo informações da Casan, em cidades da região Serrana, como São Joaquim, também há dificuldades. Isso porque o Rio Antonina está praticamente seco. No Litoral Norte, em Barra Velha, onde a prefeitura estuda decretar emergência, e São João do Itaperiú, o alerta sobre a dificuldade de abastecimento de água se repete. Nessas cidades, a Casan informou que tem feito manobras para manter os usuários abastecidos.

    Já no Vale do Itajaí, o nível do Rio Itajaí-Açu, em Indaial, preocupa. Fotos e vídeos divulgados no fim de semana revelam que a escassez de chuva deixou as pedras do rio à mostra na altura das Ponte dos Arcos e Ponte Nova. Na região, a Casan indica que enfrenta dificuldades de abastecimento em Itaiópolis.

    Rio Itajaí-Açu em Indaial
    Situação do Rio Itajaí-Açu em Idaial
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    Em Tubarão, no Sul catarinense, a baixa do Rio Tubarão fez com que o prefeito Joares Ponticelli decretasse situação de emergência na semana passada. Segundo a concessionária responsável pelo abastecimento de água no município, a falta de chuva fez com que água salgada do mar avançasse, elevando o índice de água salobra no rio. A concessionária estuda fazer uma barreira de contenção para evitar que a água salgada continue a avançar e prejudique a captação.

    Na Grande Florianópolis, Rio Pilões está com menos de 50% do volume normal

    Na Grande Florianópolis, que no ano passado já havia enfrentado uma crise de abastecimento por conta da estiagem, o Rio Pilões, que abastece a região, está com menos de 50% do volume habitual, e moradores voltam a relatar problemas de falta de água. A Lagoa do Peri, em Florianópolis, que abaste o Sul da Ilha, também está em situação de alerta.

    De acordo com a Casan, duas medidas operacionais foram tomadas para manter o abastecimento. Uma delas foi reduzir em 40% a captação na Lagoa do Peri para preservar o manancial, colocando em operação nove poços do Aquífero do Campeche. Além disso, a companhia também informou que instalou nova bomba na captação do Rio Cubatão para reforçar o Sistema Integrado da Região Metropolitana.

    Lagoa do Peri, em Florianópolis
    Efeitos da estiagem na Lagoa do Peri, em Florianópolis
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    A companhia também afirma vem executando obras emergenciais para reduzir os transtornos da estiagem em todas as cidades onde é responsável pelo abastecimento e reforça que o apoio da população é importante para a economia de água. Medidas como evitar lavar casas e calçadas e reduzir o tempo de banho são algumas das orientações do órgão.

    Já a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc) afirma que está acompanhando a situação, e que está orientando os responsáveis pelo abastecimento nos municípios em estado crítico para que façam as intervenções e adotem as medidas emergenciais necessárias para minimizar os impactos nos usuários.

    Chuva desta semana não muda cenário, aponta Puschalski

    Entre esta segunda e terça-feira (28), cidades catarinenses comemoraram a volta da chuva. Os volumes chegaram a ser consideráveis em municípios como Sombrio (22 mm), Antonio Carlos, Itapema, Itajaí e Joinville (20 mm), Blumenau e Jacinto Machado (16 mm).

    Porém, o meteorologista da NSC Comunicação, Leandro Puschalski, afirma que os volumes são insuficientes para mudar o quadro de estiagem em Santa Catarina. Ele também pondera que a previsão do tempo ainda não indica chuvas volumosas para os próximos dias e orienta que as pessoas sigam economizando água.

    De acordo com Puschalski, a situação da estiagem só vai melhorar quando voltar a chover com regularidade.

    — É algo que vem de alguns meses, então o que é necessário é que volte a chover com volumes maiores por um período mais regular — comenta.

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