O ataque ao CEI Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, despertou anúncios de autoridades em SC sobre medidas de segurança para evitar eventuais novos casos. Entre as propostas, estão policiamento nas escolas, contratação de vigilantes e maior controle dos acessos. Para o psicólogo Rossandro Klinjey, essas medidas devem estar aliadas a outras ações:

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– É essencial que, além de buscar segurança, escolas e famílias trabalhem juntas para promover uma cultura de paz.

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Klinjey é também palestrante e escritor. Fenômeno nas redes sociais, os vídeos dele já alcançaram marcas exorbitantes de visualizações. Foi professor universitário por mais de dez anos, quando passou a se dedicar à atividade de palestrante no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. Ele atua também como consultor da Rede Globo em temas relacionado a comportamento, educação e família.

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A reportagem conversou com ele na última semana sobre os impactos que um caso de tamanha violência como o registrado em Blumenau no último dia 5 pode causar e quais medidas devemos tomar para lidar com o futuro, nesse momento em que se busca a retomada da vida cotidiana nas escolas. Confira na entrevista a seguir:

Como sociedade, o que podemos tirar de lição de um episódio brutal como o ataque a uma creche ocorrido em Blumenau na última semana? Qual aprendizado fica para todos nós?

Um evento violento como esse afeta profundamente as famílias que perderam seus filhos, traumatiza as crianças que sobreviveram e impacta a cidade de Blumenau e todo o país como um trauma coletivo. Essa situação repercute na mente de educadores, pais e mães, aumentando a preocupação com a segurança dos espaços públicos, especialmente nas escolas, onde as crianças começam a socialização e entram em contato com o mundo além das famílias.

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A perda de confiança na escola como espaço de convivência prejudica nosso senso de coletividade e cria a sensação de que não há mais lugares seguros.
Uma lição dolorosa que podemos tirar de eventos como esse é que o ódio se tornou uma característica marcante na sociedade atual. É fundamental trabalhar para combater essa mentalidade e promover a convivência pacífica e o respeito às diferenças em nossas comunidades.

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O ataque em Blumenau inverte a lógica natural da vida ao atingir crianças. Isso gera maior impacto e comoção? Por quê?

A violência que atinge crianças representa um ataque à inocência e à pureza de vidas que mal começaram a se desenvolver, causando um impacto brutal na sociedade. É igualmente chocante saber que um adolescente de 13 anos cometeu um crime tão violento, como matar uma professora. Essas realidades desoladoras nos levam a questionar a sociedade em que vivemos e nos desafiam, mesmo em meio à dor desses eventos, a reconsiderar nossas posturas em relação à educação das crianças.

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As famílias, as escolas e o país como um todo precisam repensar as abordagens. Famílias devem se envolver mais na educação dos filhos, enquanto escolas enfrentam o desafio de lidar com professores sobrecarregados e adoecidos pelas exigências do trabalho. Além disso, é necessário que a educação se torne uma política de Estado consistente, independente do espectro político no poder. Só assim poderemos enfrentar e combater efetivamente a violência nas escolas e construir uma sociedade mais justa e segura.

Em Santa Catarina, os últimos dias têm sido marcados pelo anúncio de ações que buscam reforçar a sensação de segurança nas escolas. Como isso impacta nas pessoas?

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Todas as medidas possíveis são úteis, mas não se trata apenas de adotar ações como policiamento ou medidas de segurança em todas as escolas. Estamos lidando com uma sociedade adoecida, na qual a violência foi banalizada e grupos antes escondidos agora se revelam por meio das redes sociais. A regulamentação atual abrange as redes sociais mais conhecidas, como Facebook e Instagram, mas muitas das conversas e estímulos à violência ocorrem em chats de jogos on-line.

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É necessário implementar uma legislação abrangente e dinâmica, em constante atualização, para enfrentar essa realidade. Além das medidas de segurança tradicionais, é preciso que a sociedade esteja mais atenta e vigilante contra esses grupos que se escondem nas profundezas da internet, para evitar que novas tragédias sejam incitadas e se materializem a partir das fantasias doentias dessas mentes. Só assim poderemos prevenir e combater a violência nas escolas de forma eficaz.

O ambiente escolar é um lugar de socialização, de construção de conhecimento e desenvolvimento humano, independentemente da idade. O que ou como fazer para que as pessoas mantenham essa percepção?

É essencial que, além de buscar segurança, escolas e famílias trabalhem juntas para promover uma cultura de paz. Isso inclui combater práticas como o bullying e incentivar a aceitação do outro, com todas as suas diferenças, como um fator de harmonia em nossa sociedade.
Também é fundamental que as escolas incorporem em seu currículo e em ações pedagógicas o desenvolvimento das competências socioemocionais de crianças e adolescentes. Essa abordagem os ajudará a gerenciar emoções, resistir às pressões dos colegas e evitar serem seduzidos por discursos de ódio.

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Investir na educação socioemocional é uma maneira poderosa de prevenir a violência nas escolas, pois ensina aos jovens como lidar com conflitos e emoções de maneira saudável e construtiva. Essa formação, aliada a outras medidas de segurança e conscientização, é crucial para criar um ambiente escolar seguro e inclusivo, onde todos possam prosperar.

Veja vídeo que mostra as famílias em busca de informações:

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