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    Especialista reforça importância do diálogo no combate a abuso sexual infantil

    Supervisor de projeto com base em Tijucas cita barreira devido à mentalidade conservadora de parte da população

    18/08/2020 - 12h13 - Atualizada em: 18/08/2020 - 13h17

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    Leandro
    Por Leandro Lessa
    No Brasil, foram 32 mil casos registrados de estupro contra menores em 2018
    No Brasil, foram 32 mil casos registrados de estupro contra menores em 2018
    (Foto: )

    Segundo dados do Ministério da Saúde, dois em cada três episódios de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil foram registrados dentro de casa. Em 25% do total de casos, os abusadores eram amigos ou conhecidos da vítima; em 23%, o crime foi cometido pelo pai ou pelo padrasto. 

    Os números são de 2018, quando o país registrou 32 mil notificações deste tipo, o que equivale a mais de três casos a cada hora. Em Santa Catarina, o número de ocorrências, entre janeiro e meados de maio deste ano, teve uma queda de cerca de 40% - foram 675, contra 1.121 durante o mesmo período em 2019

    Porém, há ainda a preocupação sobre os casos que não são denunciados ou a demora para que sejam impedidos. Um dos exemplos é o caso do tio suspeito de estuprar a sobrinha durante quatro anos, além de engravidar a criança - atualmente, ela está com 10 anos de idade. Ele foi preso em Minas Gerais nesta terça-feira (18). 

    - É possível abordar sobre esses assuntos com as crianças, por menores que sejam, através de uma conversa franca, aberta e dentro das condições de compreensão da criança - disse Edgar Piva, supervisor do projeto Ciranda, em Tijucas, que trabalha com crianças e adolescentes as questões acerca do tema, com linguagem específica para a faixa etária. 

    De acordo com o professor, há exemplos de organizações não-governamentais e ações públicas no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. Porém, ele acredita que existem barreiras, não só de fator político-econômico, mas também em relação ao ponto de vista de parte da população.  

    - Às vezes, há dificuldades de investimentos em programas sociais. Há também uma certa resistência devido a um pensamento conversador, em que as pessoas acreditam que não se deve falar sobre determinados assuntos, pois estariam incentivando uma vida sexual mais precoce - declarou Piva. 

    No levantamento do Minstério da Saúde, das 32 mil ocorrências notificadas de crime sexual contra menores em 2018, 13,4 mil tiveram como vítimas crianças entre zero e nove anos - três a cada quatro casos foram com meninas.  

    Ouça a entrevista completa:

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