Com o calendário eleitoral de 2026 avançando, o cenário político em Brasília entra em ebulição. O foco agora é o prazo de desincompatibilização — o limite para que ocupantes de cargos públicos deixem suas funções se quiserem disputar as urnas. No primeiro escalão do governo, o que poderia parecer uma crise de continuidade é, na verdade, uma “debandada” planejada.

Continua depois da publicidade

O Palácio do Planalto prepara uma reforma ministerial cirúrgica, transformando a saída de seus principais quadros em uma jogada estratégica para fortalecer o governo nos estados e no Legislativo.

Operação Blindagem: Como o governo evita o vácuo de gestão

Embora a troca de nomes em pastas importantes possa causar apreensão no mercado e na sociedade, o viés político por trás da movimentação é de coordenação. Lula e seus articuladores têm trabalhado datas e nomes de substitutos para que os desligamentos ocorram de forma escalonada. O objetivo é evitar que a máquina pública pare, enquanto as principais apostas do governo se preparam para as campanhas. É uma transição focada em manter a entrega de resultados, ao mesmo tempo em que o governo lança seus “generais” para a batalha eleitoral.

A investida na Casa Alta: O foco total no Senado

A peça central desse tabuleiro é o Senado Federal. Para garantir que um eventual segundo mandato de Lula não fique travado, o petista sabe que precisa de uma “Casa Alta” mais amigável e menos conservadora. Ampliar a base de apoio no Senado é fundamental para a aprovação de reformas e indicações cruciais. Por isso, o Planalto não está apenas liberando ministros; está enviando figuras de peso para assegurar cadeiras estratégicas que dão as cartas na governabilidade do país.

Um exemplo claro dessa movimentação é Gleisi Hoffmann. Atuando na linha de frente das Relações Institucionais, Gleisi já oficializou sua intenção de disputar o Senado pelo Paraná. Sua saída é fruto de uma negociação minuciosa, visto que ela é o elo entre o Congresso e a Presidência. Na mesma trilha de saída até o prazo de 4 de abril, figuram nomes como Simone Tebet (MDB) e Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil, que deve buscar o retorno ao Senado pela Bahia, consolidando o palanque governista no Nordeste.

Continua depois da publicidade

O fator Haddad: O braço de ferro por São Paulo

Talvez o nome que gera mais expectativa nos bastidores seja o de Fernando Haddad. O ministro da Fazenda vive um dilema particular: de um lado, a pressão direta do presidente Lula para que ele encabece a disputa pelo Governo de São Paulo; de outro, sua própria resistência em interromper o trabalho na economia. Haddad tem sido enfático ao dizer que seu plano para 2026 é não concorrer a cargos eletivos, preferindo entregar o mandato na Fazenda com as contas em ordem. Contudo, em Brasília, o “não” de hoje costuma ser a base para o convencimento de amanhã, especialmente quando o prazo eleitoral chega ao limite.

Pelo menos 20 ministros devem deixar o governo para se lançarem ao pleito de 2026

Veja lista de prováveis movimentações:

  • Desenvolvimento, Indústria e Comércio: Geraldo Alckmin (PSB) deve ser candidato à reeleição como vice-presidente.
  • Educação: Camilo Santana (PT) deve ser candidato ao governo do Ceará.
  • Transportes: Renan Filho (MDB) deve ser candidato ao governo de Alagoas.
  • Esporte: André Fufuca (PP) deve concorrer ao Senado.
  • Portos e Aeroportos: Silvio Costa Filho (Republicanos) planeja ser candidato ao Senado por Pernambuco.
  • Integração Nacional: Waldez Goés (PDT) é cotado para ser candidato a senador pelo Amapá.
  • Secretaria de Comunicação da Presidência: Sidônio Palmeira deve deixar o governo para fazer o marketing da campanha de reeleição do presidente Lula.
  • Meio Ambiente: Marina Silva (Rede) é cotada para disputar uma vaga ao Senado.
  • Cidades: Jader Filho (MDB) deve ser candidato a deputado federal pelo Pará.
  • Agricultura: Carlos Fávaro (PSD) será candidato à reeleição para o Senado por Mato Grosso.
  • Pesca: André de Paula (PSD) será candidato a deputado federal por Pernambuco.
  • Igualdade Racial: Anielle Franco (PT) avalia ser candidata à deputada federal pelo Rio de Janeiro.
  • Desenvolvimento Agrário: Paulo Teixeira (PT) será candidato à reeleição como deputado por São Paulo.
  • Empreendedorismo: Marcio França (PSB) planeja se candidatar ao governo de São Paulo.
  • Minas e Energia: Alexandre Silveira (PSD) avalia ser candidato ao Senado por Minas Gerais.
  • Direitos Humanos: Macaé Evaristo (PT) deve ser candidata à deputada estadual em Minas Gerais.
  • Povos Indígenas: Sonia Guajajara (PSOL) deve ser candidata à reeleição como deputada federal por São Paulo.
  • Previdência Social: Wolney Queiroz (PDT) deve ser candidato a deputado federal por Pernambuco.

Prazos do TSE para não perder o direito ao voto

Leia mais

Continua depois da publicidade

*Com edição de Luiz Daudt Junior.