Fim do cargo vitalício? A reforma que pode tirar o “mandato eterno” dos ministros do STF

Discussão sobre fixação de mandatos para ministros da Corte divide opiniões em Brasília, enquanto novo aumento no teto do funcionalismo entra na mira do Orçamento para 2026

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Sede do Supremo Tribunal Federal: além da discussão sobre mandatos, Corte atua como balizadora do teto salarial do funcionalismo público (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom, Agência Brasil)

Ocupar uma das onze cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF) é a jogada mais estratégica do xadrez político em Brasília. Para além do martelo jurídico, o cargo magnetiza a opinião pública por um detalhe que separa os ministros de quase todos os outros postos da República: a falta de um prazo de validade. No STF, o mandato não tem tempo contado, uma lacuna que hoje incendeia o debate sobre uma reforma constitucional para acabar com o “cargo eterno”. 

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A ofensiva contra o “trono” vitalício 

A pressão para colocar um cronômetro na toga ganha força com um entusiasta de peso: o presidente Lula. O petista tem batido na tecla de que o modelo atual é anacrônico. Em entrevista ao UOL, em fevereiro de 2026, ele subiu o tom:

— Não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até os 75… é muito tempo.

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Para Lula, a fixação de um mandato é um debate urgente que precisa passar pelo crivo do Congresso. Atualmente, após o “sim” do Senado, o magistrado ganha um passaporte de estabilidade que só expira com a aposentadoria compulsória, blindando-o de trocas de governo por décadas. 

Poder que atravessa décadas 

A longevidade dos ministros é garantida pela Emenda Constitucional 88/2015, que empurrou a saída compulsória para os 75 anos, consolidando carreiras que podem durar 40 anos na Corte. Esse horizonte prolongado, no entanto, vem acompanhado do subsídio mais alto do Estado: R$ 46,3 mil. Mais do que um salário, esse valor é a “régua” do Brasil, definindo o limite máximo de remuneração no serviço público e gerando pressão constante sobre o Orçamento da União. 

Efeito Cascata: O novo teto do funcionalismo 

A balança salarial do Brasil pode sofrer novos ajustes em breve. Tramitam discussões nos bastidores sobre uma nova proposta orçamentária que elevaria o subsídio dos ministros do Supremo em 2026. O movimento, que ainda depende de articulação política e aprovação legislativa, reforça o papel da Corte como o balizador máximo da remuneração estatal. No Brasil, o topo da pirâmide financeira e o eventual ‘efeito cascata’ nas contas públicas passam, obrigatoriamente, pela Praça dos Três Poderes.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.