Estudantes criticam vestibular da UFSC sem prova presencial: “Foi um susto”

Ingresso na universidade será feito usando nota de provas anteriores ou do Enem

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Inscrição para o vestibular começa na sexta-feira (16) (Foto: Leo Munhoz / Arquivo NSC)

O anúncio de um processo seletivo sem provas presenciais para ingresso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) gerou críticas de estudantes. A principal queixa é o fato de a instituição ter levantado a possibilidade de realização de provas em setembro. A lista de livros obrigatórios e o conteúdo programático do possível exame também foram divulgados. A decisão final, contudo, dependia da avaliação de um comitê epidemiológico.

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O edital com mais de 2 mil vagas foi publicado pela universidade na segunda-feira (12). Os estudantes poderão concorrer usando notas do Enem (2017, 2018, 2019 e 2020) ou dos cinco últimos vestibulares presenciais da UFSC. As inscrições começam na sexta-feira (16) e se estendem até o dia 6 de agosto.

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Nas redes sociais, o anúncio foi alvo de críticas de estudantes que se preparavam para uma prova presencial. Vinicius Stein Zandonai, 19 anos, conta que levou um susto com a decisão pelo processo sem provas presenciais. Essa seria a primeira vez que ele faria o vestibular da universidade para o curso de Medicina.

– Durante todo o ano eu estudei para a UFSC, resolvendo prova antiga deles. Quando chegou próximo ao processo eles falam que seria pelo Enem. Foi um susto – conta o estudante.

A possibilidade da realização de um vestibular presencial foi divulgada pela universidade em abril após aval da Câmara de Graduação. A proposta tinha mudanças em relação aos concursos anteriores. Uma das principais alterações era a redução das provas de três para dois dias.

Ainda em abril, a UFSC informou que a decisão final seria divulgada no início de julho. A presidente da Coperve, Maria José Baldessar, explica que submeteu o planejamento do processo seletivo para o comitê formado por cinco epidemiologistas da universidade.

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– O parecer do comitê diz que mesmo que nós estejamos numa situação de estabilidade (em relação à pandemia), isso não significa que nós temos segurança para a realização de um vestibular – conta.

Ela diz ainda que além dos estudantes que fariam a prova, mais pessoas teriam de ser envolvidas no processo para a realização do vestibular.

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– Quando o vestibulando vem fazer a prova não é só ele na sala. Tem todo o apoio logístico que a gente tem que ofertar, seja de segurança, limpeza, conservação e comunicação dentro das sala de aula […] A gente avalia que em um vestibular que teríamos em torno de 20 mil candidatos, nós estaríamos fazendo um movimento com o triplo de pessoas – pontua.

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A possibilidade de um vestibular presencial é avaliada pela Coperve para o ano que vem. As provas estão previstas para fevereiro em formato diferente, com dois dias de exame. A confirmação depende do cenário da pandemia.

Polêmica no concurso anterior

Outra questão que tem preocupado estudantes são as vagas que teriam sobrado do processo seletivo do anterior. A vestibulanda de Medicina, Júlia Pires, 21 anos, reclama do preenchimento de vagas no último semestre — que também não teve provas presenciais. Um balanço feito pela estudante em parceria com seus colegas indica que as matrículas ofertadas não foram preenchidas em sua totalidade.

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Pelo levantamento, há vagas para os cursos de Medicina em Florianópolis e Araranguá.

– As vagas não estão sendo preenchidas e eles resolveram fazer o mesmo processo seletivo sendo que as vagas já estão sobrando da outra vez – reclama.

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Com um grupo de colegas, Júlia contou ter procurado a UFSC por e-mail relatando sobre a possível sobra de vagas. A resposta aos questionamentos não foi esclarecedora, diz a aluna:

– A gente fez a denúncia pelos e-mails da universidade, mas é basicamente a mesma coisa que não mandar. Um setor encaminha para o outro e ninguém te responde realmente.

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Em nota, o diretor do Departamento de Administração Escolar da UFSC, Cesar Trindade Neves, informou que o processo seletivo para o primeiro semestre contou com a matrícula on-line e documental dos alunos classificados na primeira chamada e nas três subsequentes.

“Em muitos cursos após essas chamadas, foram convocados mais de quatro vezes o número de vagas disponíveis, para que pudéssemos matricular o maior número possível de alunos”, escreveu.

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Neves explica haver um período-limite em que não se pode mais chamar novos alunos, pois nenhum estudante pode faltar mais que 25% do semestre. Assim, as vagas que não são preenchidas por todas as chamadas ficam disponíveis para novos editais, no processo seletivo de Transferências e Retornos.

Ele esclarece também que em 2021, por determinação do Conselho Universitário da UFSC, os processos seletivos passaram a ser semestrais e independentes, com vagas oferecidas para um semestre por vez.

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“O procedimento é diferente dos vestibulares anteriores da UFSC, em que se disponibilizava o total anual de vagas, distribuído em ambos os semestres, e por isso, havia um número muito maior de chamadas”, disse em nota.

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