Mais de 70 perfis nas redes sociais viraram alvo de investigação da Polícia Civil de São Paulo por divulgar vídeos do caso do estupro coletivo contra duas crianças, de 7 e 10 anos, no dia 21 de abril deste ano. Os responsáveis por divulgar as cenas do crime foram identificados pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública do Estado.

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O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que a divulgação deste tipo de conteúdo é crime, com pena de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa. Segundo a delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, que está à frente do Noad, a polícia continua na busca por perfis que realizaram o compartilhamento do vídeo, ou parte dele, continuam, segundo ela. 

— O nosso monitoramento é feito 24 horas, sete dias por semana. Um relatório técnico é gerado e disparado para quem vai executar. Não importa se o perfil é de São Paulo ou de fora — diz.

A Polícia Civil também busca quem fez o compartilhamento original das imagens brutas.

— Estamos investigando quem conhecia os envolvidos e divulgou o material bruto. Essas pessoas podem responder por divulgação de pedofilia, crime previsto no ECA — destacou e o delegado titular Júlio Geraldo.

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Entenda o caso do estupro coletivo em SP

Delegado diz que grupo não demonstrou arrependimento

Ainda conforme o delegado à frente do caso, Júlio Geraldo, do 63º Distrito Policial, os quatro adolescentes e o adulto envolvidos não demonstraram arrependimento pelos crimes que cometerem.

— Não sentimos qualquer espécie de remorso. Realmente, o que incomodou eles é o risco de ser punido, o medo das consequências. Mas nós não percebemos, em momento nenhum, arrependimento.

O adulto foi indiciado por estupro de vulnerável, divulgação de material com conteúdo sexual envolvendo menores e corrupção de menores.

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Depois do crime, Alessandro foi localizado na Bahia e trazido para São Paulo. No estado, ele prestou depoimento e foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. O investigado ainda deve ser transferido para uma unidade prisional.

Entenda o caso de estupro coletivo

A família de duas crianças de 7 e 10 anos, vítimas de um estupro coletivo na zona leste de São Paulo, soube do crime por meio de vídeos que circulavam nas redes sociais. Segundo a Polícia Civil, os envolvidos foram identificados, sendo quatro adolescentes e um maior de idade. Três já foram apreendidos e um homem, de 21 anos, foi preso nesta segunda-feira (4) na Bahia.

O caso foi registrado no dia 21 de abril, contudo, só chegou ao conhecimento das autoridades no dia 24 de abril, três dias após o crime, depois que a irmã de uma das vítimas viu imagens do abuso circulando nas redes sociais e procurou a delegacia para registrar a denúncia.

De acordo com a Polícia Civil, os agressores conheciam as crianças e atraíram as vítimas com um convite para empinar pipa antes do crime.

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— Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram pra soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque falaram: “vamos soltar pipa, aqui tem uma linha” — disse a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.

Ainda conforme a delegada, as vítimas eram pressionadas para não procurar a polícia.

— As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Embora estivesse circulando na internet, a família não havia registrado queixa.

A delegada afirmou ainda que a irmã que fez a denúncia não morava mais com a mãe das vítimas e identificou o irmão ao ver o vídeo nas redes sociais.

*Com informações do Estadão.