“Atleta, poeta e amante da vida”. É assim que se autointitula Gueitiro Matsuo Genso nas redes sociais, o novo presidente interino da Tupy, multinacional com sede em Joinville que vive reviravolta após renúncia no comando. Genso é ex-CEO da PicPay, uma das maiores fintechs do país, e já passou pelo Banco do Brasil e Vale.

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O comunicado de renúncia de Rafael Lucchesi, o até então diretor presidente da Tupy, foi divulgado na última sexta-feira (27). De acordo com a multinacional, a renúncia aconteceu “por razões de ordem estritamente pessoal” e “em caráter irretratável e irrevogável”. 

Conheça a Tupy, multinacional de Joinville

Para o ocupar o cargo de forma interina, ainda por período indeterminado a partir de 1° de abril, o escolhido foi o atual diretor vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios, Inovação e M&A e diretor de relações com investidores da empresa, Gueitiro Matsuo Genso.

Quem é o novo presidente interino da Tupy

Executivo com mais de 30 anos de carreira, Gueitiro liderou projetos importantes no Banco do Brasil em serviços financeiros e pagamentos, como criação do produto consignado e imobiliário, além de modelo de negócios digital. Ali, ele atuou como Vice-Presidente de Varejo, posição em que liderou cerca de 70 mil pessoas, conforme seu perfil profissional nas redes sociais.

Entre 2015 e 2018, Genso também foi  CEO da Previ, o maior fundo de pensão da América Latina. Na posição, representou o fundo em conselhos de importantes companhias brasileiras, como a Vale, empresa em que foi chairman, cargo de presidência do Conselho de Administração, representando os acionistas.

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Nos últimos anos decidiu participar da revolução estrutural que as fintechs estão promovendo no mercado financeiro brasileiro. Dessa maneira, foi CEO e conselheiro da startup PicPay, empresa de tecnologia focada em soluções de pagamentos.    

Desde julho de 2024, atua como Vice-Presidente de Inovação e Novos Negócios na Tupy/MWM. Na multinacional, também exerceu os cargos de Presidente do Conselho de Administração (2019–2021), membro e consultor externo do Comitê de Estratégia e Inovação (2019–2023) e do Comitê de Estratégia, Inovação e Sustentabilidade (2023–2025). 

Carta de renúncia

Lucchesi entregou a carta de renúncia em “caráter irretratável e irrevogável”, após quase um ano no comando da empresa. De acordo com a multinacional, a renúncia aconteceu “por razões de ordem estritamente pessoal”.

“Durante esse período, sua gestão foi marcada por avanços na execução da estratégia da Companhia, com destaque para a celebração de novos contratos, a diversificação do portfólio e iniciativas voltadas ao fortalecimento da eficiência operacional, contribuindo para o posicionamento da Companhia para os ciclos futuros”, afirmou o comunicado.

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O processo de sucessão, que já iniciou, está sendo conduzido pelo Conselho de Administração, sob coordenação do presidente Jaime Kalsing. O processo será realizado “de forma estruturada e em conformidade com as melhores práticas de governança corporativa”.

O Conselho contratou a empresa Heidrick & Struggles para a sucessão, consultoria internacional de reconhecida experiência em processos de sucessão e seleção de executivos seniores, para assegurar “uma transição ordenada e a continuidade da estratégia da Companhia”.

“O mercado será devidamente informado acerca da evolução e das etapas do processo de sucessão, nos termos da regulamentação aplicável. O Conselho de Administração registra seus agradecimentos ao Sr. Rafael Lucchesi pelas contribuições prestadas à Companhia durante o período em que exerceu o cargo de Diretor-Presidente”, ressaltou.

O pedido de renúncia do executivo Rafael Lucchesi do cargo de CEO escancara ainda mais a turbulência interna vivida pela multinacional catarinense, conforme analisado pelo colunista Pedro Machado, do NSC Total. A mudança realimenta o debate em torno da governança da metalúrgica de Joinville, alvo de questionamentos recentes de acionistas e de parte do mercado.

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*Sob supervisão de Leandro Ferreira