Florianópolis registrou 2.272 atendimentos de mulheres vítimas de violência entre 2019 e 2024. Do total, 826 casos tiveram como autores ex-companheiros, sendo a autoria mais presente. O levantamento integra o Relatório de Dados da Violência contra as Mulheres, divulgado pela prefeitura da Capital nesta semana.

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Quanto aos tipos de violência, a psicológica aparece como a forma de agressão mais recorrente, superando a física e a moral. O resultado, segundo a prefeitura, evidencia que a violência contra a mulher nem sempre deixa marcas visíveis, mas produz consequências profundas para a saúde mental, a autonomia e a qualidade de vida das vítimas.

O crescimento no número de medidas protetivas também demonstra uma demanda cada vez maior por mecanismos de proteção. Em 2020, Florianópolis registrou 1.196 solicitações. Em 2023, o número chegou a 1.778, um aumento de quase 49%. Entre janeiro e novembro de 2024, já haviam sido registradas 1.568 medidas, indicando que a procura por proteção judicial permanece elevada.

Violência contra a mulher em Florianópolis: veja dados do relatório

Casos de violência por ano

  • 2019 – 391 casos
  • 2020 – 321
  • 2021 – 508
  • 2022 – 393
  • 2023 – 352
  • 2024 (até 16/12) – 307

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Autores das agressões

  • Companheiros: 525 casos, entre 2019 e 2024
  • Ex-companheiros: 826
  • Namorados: 27
  • Ex-namorados:117
  • Outros familiares:189
  • Terceiros: 106

Violências mais relatadas

  • Física: 963, entre 2019 e 2024
  • Psicológica: 1418
  • Moral: 984
  • Sexual: 272
  • Feminicídios: 13

O que explica esse cenário?

Os dados avassaladores mostram que o feminicídio pode ser considerado uma endemia dentro da sociedade brasileira, segundo a promotora de Justiça Chimelly Marcon em entrevista para a série “Até quando? Feminicídios, uma tragédia social”, do NSC Notícias e NSC Total.

A especialista entende que os aspectos que estimulam a violência estão dentro da nossa formação sócio cultural, como a propagação do machismo e sexismo estrutural. 

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— São aspectos que, infelizmente, nós acabamos replicando de geração para geração. Por isso que nós falamos de endemia. O fator social e cultural está na nossa sociedade e no nosso modelo de socialização — destaca.

A juíza Naiara Brancher, titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), também salienta que há um componente cultural e reacionário na explosão desses casos: 

—O que nós estamos sofrendo hoje é como se fosse uma revanche, uma resposta dessa sociedade machista para com os direitos alcançados e galgados pelas meninas e mulheres. Essa sociedade que se autoriza, de alguma forma, a dispor dos corpos femininos.

A prefeitura de Florianópolis, por sua vez, pontua que mais de 90% dos agressores são homens, com destaque para os ex-companheiros das vítimas, o que revela um padrão de violência doméstica e relacional.

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— A violência contra as mulheres é um problema complexo e multifacetado que exige uma abordagem detalhada e específica para cada contexto local. Compreender a magnitude e as características desse fenômeno em Florianópolis é crucial para direcionar esforços que possam minimizar seus impactos e garantir o direito à segurança e à dignidade das mulheres na cidade — conclui o documento.

Quais as possibilidades de apoio às vítimas?

Equipamentos Municipais de Atendimento Direto

CREMV (Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência): é um equipamento especializado que oferece acolhimento com escuta qualificada e orientações sobre direitos e fluxos da rede protetiva.

  • Endereço: Rua Delminda da Silveira, 811 fundos (ao lado da 6ª Delegacia de Polícia – DPCAMI), Agronômica.
  • E-mail: cremv@pmf.sc.gov.br
  • Instagram: @cremv.floripa
  • Horário: Segunda a sexta, das 9h às 17h.

Espaço Acolher (Multihospital): unidade que integra serviços de saúde e segurança pública para situações de violência sexual, física, psicológica, entre outras.

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  • Endereço: Avenida Deputado Diomício Freitas, 3393 – Carianos.
  • Contatos: (48) 3239-1705 ou (48) 92000-7259.
  • Atendimento: 24 horas

Casa de Acolhimento para Mulheres (Projeto Amadas): oferece acolhimento provisório e seguro para mulheres acima de 18 anos e seus filhos. O acesso é feito via encaminhamento pelo CREMV, DPCAMI/Central de Polícia, CREAS ou Espaço Acolher.

Órgãos de Gestão e Conselhos

Assessoria de Políticas Públicas para as Mulheres e Igualdade de Gênero: Responsável por coordenar e desenvolver projetos voltados à mulher no município.

  • E-mail: assessoria.mulher@pmf.sc.gov.br.
  • Instagram: @direitoshumanospmf.

COMDIM (Conselho Municipal dos Direitos da Mulher): Órgão que fiscaliza e orienta ações voltadas aos direitos femininos.

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  • E-mail: comdimfloripa@gmail.com.
  • Instagram: @comdimflorianopolis.

Outros Canais da Rede de Proteção

Procuradoria Especial da Mulher (Câmara Municipal): Recebe e encaminha denúncias de violência de gênero aos órgãos competentes.

  • E-mail: procuradoriadamulher@cmf.sc.gov.br.
  • Contato: (48) 3027-5884.

NAVIT (Núcleo de Atendimento a Vítimas de Crimes): Focado no atendimento humanizado a vítimas de crimes cometidos com violência ou grave ameaça.

Rede Catarina de Proteção (PMSC): Programa da Polícia Militar voltado à prevenção da violência doméstica através da Patrulha Maria da Penha.

OAB por Elas: Projeto que oferece assistência jurídica e suporte às vítimas.

RAIVS (Rede de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual): Conjunto de instituições, incluindo hospitais, preparadas para ofertar atenção integral em saúde.

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