Um ex-diretor do Presídio Masculino de Lages, na Serra de Santa Catarina, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (23) por suspeita de desviar madeira de araucária do sistema prisional. A ação faz parte da Operação “Pinóquio”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), ambos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A polícia realizou buscas em sete endereços nas cidades de Lages, Agrolândia e Campo Belo do Sul.

Continua depois da publicidade

A operação teve como objetivo investigar o desvio de madeira nativa que deveria ter sido entregue ao Presídio Masculino de Lages, além do uso ilegal de informações sigilosas do governo. Segundo os investigadores, 205 toras de araucária, que haviam sido apreendidas pela Polícia Ambiental e deveriam ser utilizadas na unidade prisional, foram desviadas. O material foi ocultado e dividido para beneficiar interesses particulares.

Além disso, a investigação identificou que um agente público utilizou o Sistema de Segurança do Estado (SISP) para vazar informações sigilosas e falsificar documentos em benefício de terceiros.

Com base nos indícios apresentados, o Poder Judiciário — por meio da Vara Regional de Garantias da Comarca de Lages — decretou a prisão preventiva do ex-gestor da unidade e autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a outros investigados. Durante a ação, foram apreendidos R$ 21.400,00 e US$ 2.500,00.

Ex-diretor de presídio de SC teria negociado propina em terreno de R$ 2,8 mi

A penitenciária de Lages também foi alvo de outra ação do MPSC nesta quinta-feira. A Operação “Terra Prometida” tem como objetivo investigar crimes de corrupção envolvendo a ampliação do Presídio Masculino de Lages. Os investigadores suspeitam que houve pedido e pagamento de propina durante a compra, pelo governo, de um terreno rural vizinho ao presídio.

Continua depois da publicidade

Segundo o MPSC, em 2025, o então diretor do presídio teria conversado com o dono do terreno para acelerar o pagamento da indenização, avaliada em R$ 2,85 milhões, mediante solicitação e promessa de recebimento de vantagem indevida.

A investigação surgiu de provas encontradas durante a Operação Carne Fraca. Ao analisar dados de celulares e computadores, os promotores encontraram conversas suspeitas do ex-diretor do presídio, que já é alvo de outras investigações na região.

O que diz a Sejuri

A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informa que as operações realizadas nesta data no Presídio Regional de Lages são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), no âmbito de investigações distintas que apuram supostas irregularidades envolvendo o ex-diretor da unidade.

As apurações tratam, de um lado, de possível desvio de materiais destinados à unidade prisional e, de outro, de suposta solicitação e recebimento de vantagem indevida em processo relacionado à desapropriação de área vizinha ao estabelecimento.

Continua depois da publicidade

A Secretaria esclarece que o referido servidor já se encontrava previamente afastado de suas funções, em decorrência de outros processos investigativos conduzidos pelo Gaeco.

É preciso esclarecer ainda que, desde o início das investigações, a Sejuri tem atuado de forma ativa e colaborativa, prestando integral apoio aos órgãos de controle e investigação, com o fornecimento de informações, documentos e demais elementos necessários ao esclarecimento dos fatos.

A Secretaria destaca que mantém rotinas permanentes de controle interno e que eventuais indícios de irregularidades são tratados com rigor, com a adoção imediata das medidas administrativas cabíveis.

A Sejuri reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética e a integridade na gestão pública, e seguirá contribuindo com as autoridades competentes para o pleno esclarecimento das circunstâncias investigadas“.

Continua depois da publicidade