O novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos nesta quinta-feira (15) contra produtos brasileiros provocou reações do governo do Brasil e de outras figuras do cenário político, como o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Em uma nota, o governo atribuiu a culpa pelas tarifas de 25% à família Bolsonaro, chamando-os de “falsos patriotas”. Já Flávio chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “Biden brasileiro”, em referência ao ex-presidente dos EUA, Joe Biden, afirmando que Lula “está ranzinza e inconsequente”.
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No comunicado, o governo brasileiro chamou de “lamentável” a conclusão da investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apurou possíveis irregularidades que estariam prejudicando a economia dos Estados Unidos. Para o governo, o desfecho da investigação “faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.
“São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, escreveu.
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A nota ainda apontou que a proteção da soberania do Brasil “é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências”.
“Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. […] O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la [a soberania]”, finalizou a nota.
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Os produtos de SC mais exportados aos EUA
Flávio Bolsonaro respondeu a uma declaração de Marco Rubio
A resposta de Flávio Bolsonaro não foi feita diretamente ao comunicado do governo federal, mas em uma postagem na rede social X (ex-twitter) do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Na publicação, Rubio disse que o motivo para a aplicação das tarifas foi a falta de negociação do Brasil com os EUA “de boa-fé“.
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“Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu.
Em resposta, Flávio afirmou que “Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil” e o chamou de “um perigo para a nossa nação”.
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Today, President Trump directed USTR to impose a 25% tariff on most Brazilian imports. Let there be no confusion about why: President Lula and his government have not negotiated with the US in good faith.
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) July 16, 2026
His economic policies are bad for Americans and bad for Brazilians. For…
Em 7 de julho, Flávio Bolsonaro, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, foi até os Estados Unidos e discursou em audiência pública sobre o novo tarifaço e disse que novas tarifas antes da eleições “recompensaria os responsáveis pelas ações em questão”.
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Investigação dos EUA contra o Brasil
A investigação dos Estados Unidos dizia respeito aos atos, vistos pelo governo americano, como “irrazoáveis” do Brasil ou que onerariam ou restringiriam o comércio do país. A investigação tinha como pontos principais:
- reivindicações das big techs americanas sobre regulação no setor no Brasil.
- PIX, sob a alegação de que o sistema prejudica empresas norte-americanas de cartões de crédito;
- desmatamento ilegal, apontando uma suposta falta de eficácia na fiscalização que resulta na exportação de produtos agrícolas.
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Leia a nota do governo na íntegra
“Nota à imprensa sobre a imposição de tarifas unilaterais contra o Brasil pelos Estados Unidos
O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável.
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O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil.
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Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.
O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais.
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Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil.
Demonstramos que são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros.
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Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.
O governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros. Continuaremos a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do MERCOSUL com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.
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Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional.
O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
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É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.
Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.“
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