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Falta de remédios para intubação coloca hospitais de SC em “alerta máximo”

Risco de desabastecimento de alguns sedativos é confirmado pelo Estado, que cita escassez no mercado

12/03/2021 - 14h38 - Atualizada em: 12/03/2021 - 16h04

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Lucas
Por Lucas Paraizo
UTI Covid
Medicamentos são utilizados em pacientes com Covid-19 intubados em UTIs
(Foto: )

A falta dos remédios que fazem parte do chamado “kit intubação” está colocando hospitais de Santa Catarina em alerta. Os sedativos são necessários para os pacientes com Covid-19 que precisam ser intubados nas UTIs, e a lotação em toda a rede hospitalar catarinense tem causado escassez destes medicamentos.

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Conforme a Secretaria de Estado da Saúde, apenas nos primeiros nove dias de março o consumo destes medicamentos já superou em 90% a média de um mês inteiro no ano passado. Com o consumo crescendo exponencialmente no país inteiro, fornecedores também estão com dificuldades para entregar os remédios, o que cria o risco de desabastecimento.

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A situação motivou uma série de pedidos de hospitais catarinenses ao governo do Estado, além de uma solicitação urgente da Fehosc (Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado de Santa Catarina) e da Ahesc (Associação dos Hospitais de Santa Catarina). Em ofício enviado ao Secretário de Estado da Saúde, André Motta, nesta quinta-feira (11), as duas entidades cobram uma reunião o quanto antes para tratar sobre a falta dos medicamentos e dificuldade de encontrá-los no mercado.

- Está sendo uma preocupação muito grande dos diretores de todos os hospitais. A gente vem acompanhando uma conversa, como que um grito de socorro dos nossos diretores, por estar aí com uma superlotação nas emergências dos hospitais e a dificuldade de aquisição desses kits de intubação, principalmente - destacou a presidente da Fehosc e diretora do Hospital São Paulo, de Xanxerê, irmã Neusa Lucio Luiza, em entrevista à NSC TV.

Segundo ela, o preço dos medicamentos já subiu mais de 150% nos últimos meses, e o relato é confirmado por outros hospitais do Estado que enviaram ofícios pedindo ajuda ao governo catarinense. Nesta quinta (11), a diretoria do Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, disse em documento que há um “alerta máximo” para a falta de remédios utilizados na intubação e sedação de pacientes. O ofício pede apoio do Estado na compra dos insumos “sob pena de prejuízo severo” aos pacientes.

Nos últimos dias, ao menos outros dois hospitais do Estado também fizeram solicitações parecidas. O Nereu Ramos, na Capital, relatou o aumento de até 470% no consumo de sedativos, o que tem dificultado o abastecimento em tempo hábil. O hospital e maternidade Tereza Ramos, em Lages, enviou ao governo um pedido de aquisição de vários remédios do kit intubação, ressaltando que já há desabastecimento de um deles, o Brometo de Rocurônio.

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que está “monitorando rigorosamente os estoques”, com “especial atenção aos itens que formam o kit intubação”. Conforme a pasta, não há falta de medicamentos no momento, mas o risco de desabastecimento de alguns itens existe. Conforme a nota, “devido à alta demanda nacional, muitos itens ficam escassos no mercado ou completamente desabastecidos. Consequentemente, fornecedores não conseguem cumprir os prazos de entrega e compras são fracassadas por ausência de cotadores”.

No caso específico do Brometo de Rocurônio em falta no hospital em Lages, a SES afirma que o medicamento está em falta no mercado nacional. Por isso, ele foi substituído por outro remédio, o Atracúrio, que foi enviado à unidade hospitalar nesta quinta (11).

“Em resposta ao ofício da SES encaminhado ao Ministério da Saúde no dia 10 de março, serão enviados insumos para os próximos 7 dias para os hospitais catarinenses. Segundo o MS, os medicamentos chegarão nos próximos dias. A SES também está trabalhando com o Ministério da Saúde uma nova ata de registro de preços com adesão dos municípios para aquisição dos medicamentos. Além disso, a SES está providenciando aquisição dos medicamentos do Kit intubação com recursos próprios”, conclui a nota do governo catarinense.

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