A presença de maré vermelha em praias de Garopaba, no Sul de Santa Catarina, mobilizou pesquisadores e órgãos ambientais na última semana. Na quinta-feira (2), equipes da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca acompanharam professores e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em uma ação de coleta e análise das algas.
Continua depois da publicidade
As atividades foram realizadas na Praia do Siriú e na região central do município. O objetivo é compreender melhor o fenômeno de floração de algas vermelhas, que vem sendo registrado na região ao longo dos anos.
Segundo o professor e pesquisador da UFSC, Jorge Baruffi, a coloração é causada por uma alga vermelha filamentosa, possivelmente do gênero Aglaothamnium. Ele destaca que o fenômeno não é inédito em Garopaba, com registros desde 2016, e, até o momento, não há confirmação de efeitos tóxicos associados. Ainda assim, os estudos seguem para entender a recorrência e as possíveis implicações.
O que a maré vermelha em Garopaba pode causar
Além da análise acadêmica, especialistas apontam que a maré vermelha pode funcionar como um bioindicador de desequilíbrios ambientais. De acordo com o biólogo Rique Almeida, o fenômeno ocorre a partir da proliferação acelerada de microalgas, favorecida por fatores como aumento da temperatura da água, menor circulação e excesso de nutrientes no ambiente.
Esse enriquecimento pode estar ligado tanto a causas naturais quanto à ação humana. Em áreas com maior circulação de pessoas, pode haver maior concentração de matéria orgânica, sedimentos, resíduos de pele, protetor solar e até possíveis falhas no despejo de esgoto, o que contribui para o desequilíbrio.
Continua depois da publicidade
Em alguns casos, esse tipo de floração pode estar associado à liberação de biotoxinas no ambiente. Essas substâncias podem afetar organismos marinhos e alcançar a cadeia alimentar, com impacto sobre a pesca e o consumo de frutos do mar.
Em humanos, a exposição, seja pelo contato com a água ou pela ingestão de alimentos contaminados, pode estar relacionada a sintomas como vômito, diarreia, formigamento, sensação de fraqueza e problemas digestivos. Também podem ocorrer efeitos no sistema nervoso, dependendo do tipo de toxina e das condições do ambiente.
Apesar disso, o biólogo ressalta que cada ocorrência deve ser analisada de forma individual:
— A biologia não é uma ciência exata. Existem vários fatores e muitas possibilidades, por isso precisa ter um estudo mais aprofundado.
Por isso, a avaliação conduzida pela UFSC e pelos órgãos ambientais é considerada essencial neste momento. A análise busca identificar com precisão as características da floração registrada em Garopaba, entender suas causas e verificar possíveis impactos. O monitoramento também contribui para a gestão ambiental e a preservação da biodiversidade na região costeira.
Continua depois da publicidade
Veja vídeo da Maré Vermelha
Mar avermelhado observado no litoral segue em monitoramento por pesquisadores e órgãos ambientais (Foto: praiadagamboaa, Reprodução)

