O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descreveu como “exótica” e “contraditória” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão domiciliar por 90 dias ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista ao programa Mais, da GloboNews, nesta terça-feira (24), o parlamentar avaliou que a medida é um “primeiro passo para fazer Justiça”, mas questionou o despacho e criticou as condições em que o pai permaneceu preso na sede da Polícia Federal: “Não tinha uma flor para ele poder olhar”.

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— É uma decisão exótica porque traz mais uma inovação: uma prisão domiciliar humanitária provisória. Isso não existe na legislação e é um pouco contraditório — afirmou o senador.

Flávio também classificou como “completamente inadequado” o período em que o ex-presidente esteve na Superintendência da Polícia Federal, entre 22 de novembro de 2025 e 15 de janeiro, antes de ser transferido para a Papudinha, apontando impactos na saúde de Bolsonaro.

— Ele ficava em uma sala de 3 por 4, trancado 22 horas por dia. Tinha direito a duas horas para caminhar em um espaço muito pequeno, cercado de muros brancos. Não tinha uma planta, uma flor para ele poder olhar, algo diferente — disse.

Entenda o estado de saúde de Bolsonaro

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O senador ainda relatou o incômodo constante com o barulho do ar-condicionado central do prédio, que descreveu como um “zumbido infernal o dia inteiro”.

O que Flávio disse

Flávio argumentou que, se a saúde do ex-presidente está em risco no sistema prisional, não haveria sentido em estabelecer um prazo de 90 dias para a prisão domiciliar.

— Se a saúde dele melhorar em casa, ele volta para o lugar onde a saúde dele estava piorando? — questionou.

Sobre o episódio em que o ex-presidente tentou retirar a tornozeleira eletrônica enquanto estava sozinho em casa, argumento anteriormente utilizado pela Justiça para mantê-lo sob custódia e monitoramento, o senador afirmou que a família deverá adotar novas medidas.

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Segundo ele, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deve acompanhar o marido de forma permanente, com apoio adicional de profissionais.

— Acredito que ele terá ali uma assistência de enfermagem ou médica. Isso terá que ser uma providência tomada pela família para evitar quadros de desequilíbrio ou quedas — afirmou.

Como será a prisão domiciliar

Alexandre de Moraes autorizou, nesta terça-feira (24), que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpra pena em prisão domiciliar por 90 dias para tratar uma broncopneumonia. Ao final desse período, serão reavaliadas as condições para a manutenção ou não da medida humanitária.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Até a internação, havia cumprido 119 dias de pena, o que representa menos de 1% do total.

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Além disso, o ex-presidente deverá usar tornozeleira eletrônica e está proibido de utilizar smartphones, celulares, telefones ou qualquer outro meio de comunicação, inclusive por intermédio de terceiros. Também não poderá acessar redes sociais nem gravar vídeos ou áudios.

Antes da internação, Bolsonaro estava detido na Papudinha, em Brasília. No dia 13 de março, deixou a unidade prisional após apresentar um quadro de broncopneumonia e precisar ser hospitalizado.

De acordo com o despacho de Moraes, o político cumprirá a prisão integralmente em seu endereço residencial, ou seja, em um condomínio de alto padrão em Brasília chamado de “Solar de Brasília”, no bairro Jardim Botânico.

Bolsonaro já cumpriu prisão domiciliar neste mesmo local entre 4 de agosto e 23 de novembro de 2025, mas foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal, também em Brasília, depois que tentou violar a tornozeleira eletrônica que usava com uma solda. Segundo o despacho publicado nesta terça, o político também terá que usar o dispositivo desta vez, “com área de inclusão do monitoramento limitando-se ao endereço residencial do sentenciado”.

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Como é o condomínio