Duas clínicas foram fechadas, em Joinville, após a Polícia Federal deflagrar uma operação que investiga um esquema nacional de fabricação e venda de canetas emagrecedoras falsificadas. A ação ocorreu na manhã desta terça-feira (7), quando 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Santa Catarina.

Continua depois da publicidade

Durante a operação “Heavy Pen”, foram fiscalizados laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas que atuam à margem da regulação sanitária. As equipes encontraram medicamentos mantidos em caixas de EPS, popularmente conhecido como isopor, em um dos endereços visitados.

Veja fotos da operação

Conforme o delegado da Polícia Federal de Joinville, Jean Rodrigo Helfenstein, os medicamentos apreendidos foram trazidos ao Brasil de forma clandestina, sem controle sanitário oficial.

— Esses medicamentos para que se mantenha seu princípio ativo, a sua qualidade e eficácia, precisam ser mantidos sobre refrigeração. Nós observamos que esses medicamentos não são mantidos nem transportados de forma adequada. Muitos deles são introduzidos no Brasil em escapamentos de motocicletas, blocos de motor ou compartimentos ocultos nos veículos para dissimular e dificultar a fiscalização das autoridades policiais — detalha o delegado.

Os medicamentos apreendidos foram entregues à Vigilância Sanitária do município, que deve analisar as substâncias e definir o destino dos produtos.

Continua depois da publicidade

As condutas investigadas podem caracterizar crimes relacionados à falsificação e à comercialização irregular de medicamentos, além de contrabando.

Esquema de venda de canetas emagrecedoras teve alvo em outros estados

Em todo o Brasil, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, além da realização de 24 ações de fiscalização, nos estados do Espírito Santo, de Goiás, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, do Pará, do Paraná, de Roraima, do Rio Grande do Norte, de São Paulo, de Sergipe e de Santa Catarina, que teve alvos em Joinville, nos bairros Iririú, Paranaguamirim, Floresta, Bucarein, Anita, João Costa e Comasa, e Lages, na Serra catarinense.

As investigações apontam que os grupos alvos têm envolvimento na cadeia ilícita das canetas emagrecedoras, desde a importação fraudulenta até a distribuição e a comercialização irregular de substâncias de uso injetável.

De acordo com a Polícia Federal, as ações concentram-se, especialmente, em produtos à base de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, amplamente utilizados em tratamentos para obesidade, além de substâncias semelhantes, como a retatrutida, ainda sem autorização para comercialização no Brasil.

Continua depois da publicidade

A ação ocorreu em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).