Milhares de peixes amanheceram mortos na região de região do manguezal do Itacorubi, nas proximidades da Avenida da Saudade, em Florianópolis, nesta quarta-feira (22). Os animais apareceram mortos na beira de um dos braços do Rio Itacorubi.

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O manguezal é protegido pelo Parque Natural Municipal do Manguezal do Itacorubi. O local guarda diversas espécies e tem condições específicas que o tornam berçário para diferentes espécies de peixes.

Em nota, a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) informou que as causas da mortandade não foram determinadas. Equipes da prefeitura estiveram no local e o Instituto do Meio Ambiente (IMA) fará análises da água e dos peixes para identificar a origem do ocorrido.

Veja imagens dos peixes mortos no manguezal do Itacorubi

Mudanças climáticas podem explicar o fenômeno

De acordo com o pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta, o problema pode ser explicado pelas mudanças climáticas, pelo aquecimento e pela acidificação do oceano.

— Nossos manguezais estão sofrendo com a poluição crônica, combinada com o aquecimento do oceano. Esse processo além de elevar as concentrações de substâncias tóxicas, reduzem a disponibilidade de oxigênio — explica o pesquisador.

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Caso semelhante aconteceu em Palhoça, em fevereiro

A situação é semelhante à mortandade de peixes registrada em fevereiro no Rio Imaruim, em Palhoça. Na última segunda segunda-feira (20), uma nota técnica divulgada pela Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina apontou que o problema foi resultado de uma combinação de fatores ambientais, possivelmente agravados por ação humana.

De acordo com o laudo, a água apresentava pH de 4,9, considerado ácido o suficiente para afetar a sobrevivência dos peixes. A temperatura elevada, de 28,6°C, também contribuiu para reduzir a quantidade de oxigênio disponível na água. Outro fator identificado foi a presença de substâncias associadas a resíduos domésticos, o que indica possível influência de efluentes no rio.

Esse conjunto, segundo a Polícia Ambiental, favorece o aumento da matéria orgânica e a proliferação de microrganismos que consomem oxigênio, agravando o quadro de hipóxia, que é quando há falta de oxigênio para a vida aquática.

A mortandade atingiu principalmente a manjuba, espécie que, segundo a análise, pode ter maior vulnerabilidade em condições como as registradas.

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Mortes de milhares de peixes em Palhoça chocaram moradores

Como denunciar casos semelhantes?

Em caso de crime ambiental em flagrante, a orientação é acionar a polícia pelo telefone 190. Denúncias ambientais também podem ser feitas diretamente na plataforma do IMA. O canal permite que o cidadão informe detalhes, endereço exato e outras informações pertinentes, facilitando a atuação da fiscalização.