Uma funcionária pública e um advogado foram presos na terceira fase da Operação Profusão, deflagrada na manhã desta terça-feira (6) em Joinville. Eles são investigados por participação em um suposto esquema de fraudes praticado no Departamento Nacional de Trânsito (Detran). Uma terceira pessoa, que seria o elo entre os dois profissionais, também foi detida e trata-se de uma ex-funcionária do órgão estadual. Os detalhes sobre o papel de cada um na organização criminosa foram revelados em entrevista com a Polícia Civil.

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Esquema no Detran de Joinville “limpava” multas até de outros estados, diz polícia

De acordo com o delegado Pedro Alves, da Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (Decor), a servidora do Detran foi presa pelo crime de violação de sigilo funcional, já que vazava dados confidenciais do sistema do órgão de trânsito, que apenas funcionários têm acesso.

Essas informações tratavam-se de telefones, e-mails e até endereços de motoristas que tinham algum tipo de irregularidade com veículos ou carteiras de motoristas. Esses dados, por sua vez, eram repassados para o advogado, que também foi preso, que era o responsável por entrar em contato com esses condutores.

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A terceira pessoa detida que fecha este trio, segundo apontam as investigações, é uma ex-funcionária do Detran e fazia o elo entre o advogado e a servidora, já que é amiga da mulher. Os três também foram alvo de buscas. Entre as apreensões, cumpridas na casa das mulheres e no escritório de advocacia, estão celulares, computadores e documentos.

Grupo não tinha líder, diz polícia

Conforme o delegado Pedro Alves, este grupo criminoso tem uma característica peculiar, em que cada integrante tem papel de destaque, a depender do contexto. A servidora que vazava dados sigilosos, por exemplo, era importante porque identificava os motoristas com multas na carteira e repassava dados pessoais desses condutores ao advogado, responsável por entrar em contato com esses infratores.

Preso na primeira fase da operação, o vereador Mauricinho Soares (MDB) também é apontado como parte do esquema por cooptar motoristas interessados no serviço ilegal. No total, sete foram detidos preventivamente nas três fases da operação.

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Entre eles está um despachante do Detran, que, para cometer os crimes, utilizava o login e a senha de um colega de trabalho para evitar que fosse descoberto. Ele era responsável por inserir dados falsos no sistema e, assim, limpar multas e demais irregularidades de CNHs e veículos.

Também foram para a prisão uma ex-funcionária e um trabalhador terceirizado do órgão, entre a primeira e a segunda fase da ação policial. Eles também autuavam para burlar o sistema do órgão.

O que já foi descoberto

A ação investiga um suposto esquema de fraudes no Detran de Joinville em que os integrantes do grupo limpavam multas de carteiras de habilitação. Mais de 100 motoristas beneficiados com a ação criminosa foram identificados pela polícia. Em um dos casos destacados, o condutor que teve a liberação para dirigir estava com mais de 240 pontos na carteira.

Os integrantes do grupo são investigados por falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informações do órgão estadual, corrupção passiva, corrupção ativa e violação de sigilo funcional.

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Já os motoristas beneficiados, caso seja comprovado que buscaram o serviço de forma irregular, além de terem a CNH novamente bloqueada, podem responder por corrupção ativa. A investigação aponta que condutores de Balneário Camboriú, Florianópolis, do Paraná, São Paulo, Goiás e até Mato Grosso vinham até a cidade para zerar as multas das CNHs de forma irregular.

Além das sete prisões, mais de 30 pessoas foram alvo de busca e apreensão e, portanto, são investigadas por participação no esquema de fraude.

O que ainda falta investigar

Agora, a polícia deve extrair dados dos celulares, computadores e demais objetos apreendidos a fim de identificar outros possíveis envolvidos no esquema de fraude. Por isso, segundo Pedro Alves, uma quarta fase da Profusão não é descartada.

Além disso, a polícia pretende desvendar os valores pagos pelos motoristas e demais benefícios financeiros recebidos pelos integrantes. Além do ganho financeiro, como tem vereador envolvido, a polícia suspeita que havia interesse de cunho político na participação do parlamentar, já que, para executar o serviço, se utilizava do cargo público, influência política e livre acesso ao órgão.

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Outros motoristas que buscaram o trabalho irregular também podem ser identificados no decorrer das análises policiais.

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