Uma funcionária pública que atuava no Departamento Nacional de Trânsito (Detran) estadual, um advogado e uma ex-funcionária do órgão foram presos na manhã desta terça-feira (6) na terceira fase da Operação Profusão, que já prendeu o vereador Mauricinho Soares (MDB). O parlamentar segue detido.

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Fraude no Detran: o papel da funcionária pública e do advogado presos no esquema em Joinville

A ação investiga um suposto esquema de fraudes no Detran de Joinville em que os integrantes do grupo limpavam multas de carteiras de habilitação. Mais de 100 motoristas beneficiados com a ação criminosa foram identificados pela polícia. Em um dos casos, o condutor que teve a liberação para dirigir estava com mais de 240 pontos na carteira.

O grupo é investigado por falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informações do órgão estadual, corrupção passiva, corrupção ativa e violação de sigilo funcional. Já os motoristas beneficiados, caso seja comprovado que buscaram o serviço de forma irregular, além de terem a CNH novamente bloqueada, podem responder por corrupção ativa.

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Esquema no Detran de Joinville “limpava” multas até de outros estados, diz polícia

Até o momento, desde o início da investigação, além de Mauricinho, foram presas seis pessoas, entre elas, um despachante, dois trabalhadores terceirizados do Detran, um ex-funcionário, um advogado, uma funcionária pública e uma pessoa que não estava ligada ao órgão, mas que atuava na organização criminosa.

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Além das três prisões em Joinville e São Francisco do Sul, nesta manhã, também foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão.

Vereador é suspeito de cooptar pessoas para o esquema

A polícia diz que os cabeças do esquema eram servidores, pessoas que atuavam no poder público, e profissionais ligados a serviços de despachantes. Oito pessoas são investigadas no total e, entre eles, o vereador Mauricinho. Segundo aponta a investigação, o parlamentar era o responsável por cooptar motoristas para buscar o serviço de maneira ilícita.

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De acordo com o delegado Pedro Alves, da Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (Decor), o papel de Mauricinho no grupo era o de cooptar motoristas com CNHs suspensas que tinham interesse em zerar multas das carteiras de habilitação de forma ilícita. Para executar o serviço, se utilizava do cargo público, influência política e livre acesso ao órgão.

Mauricinho foi preso durante a primeira fase da ação policial por posse ilegal de arma de fogo, encontrada na casa do parlamentar. Quando questionado, de acordo com a polícia, o vereador alegou que ganhou a arma de presente e a mantinha em casa há mais de 20 anos por questão de defesa pessoal.

Em uma semana, o vereador foi preso duas vezes na mesma operação. No dia 30 de novembro, quando foi deflagrada a ação policial, Mauricinho foi preso em flagrante no momento do cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa dele, quando uma arma de fogo foi encontrada no local. Ele chegou a ser conduzido ao presídio, mas pagou fiança de R$ 12 mil e foi liberado. Mesmo assim, continua a responder este processo, só que agora em liberdade.

Já no dia 8 de dezembro, Mauricinho foi preso preventivamente e o que motivou o mandado foi a descoberta de novos elementos que ligam o vereador aos casos de fraude no Detran e apontam, ainda, a participação ativa dele no esquema. Segundo a polícia, indícios mostram, inclusive, as práticas já eram feitas em mandados anteriores do político.

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Vale destacar que Mauricinho é alvo de três processos diferentes dentro da Câmara: a investigação da comissão processante, a apuração do conselho de ética pela possibilidade de quebra de decoro parlamentar por conta da arma encontrada na casa do vereador e, por último, pelo afastamento temporário por conta da prisão.

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