A Rua XV de Novembro, no coração de Blumenau, carrega consigo a alma do desenvolvimento econômico da cidade. Principal e mais famosa via do comércio, ela é um museu a céu aberto que precisa ser tratada – e cuidada – como um grande patrimônio histórico com 1,4 quilômetro de extensão. Eixo central do crescimento blumenauense, a XV guarda construções icônicas que, hoje, se confundem em meio a uma verdadeira anarquia de cores.
Continua depois da publicidade
A fachada gigante em tons de rosa que repercutiu recentemente foi só uma das pontas que expõem o cenário atual da Rua XV, com um verdadeiro frenesi visual que descaracteriza a via e pior: coloca imóveis históricos como coadjuvantes. Um passeio que para um morador ou para um turista deveria ser charmoso e cheio de identidade se torna um caos genérico, fazendo com que a XV mais se assemelhe, a olho nu, a uma rua comercial qualquer sem personalidade.

Claro que quando se olha com calma, nas plaquinhas que ainda resistem ao tempo, se vê a história e os detalhes minuciosos que tornam a Rua XV um lugar singular. Mas não deixa de ser deprimente notar que a via que é casa de imóveis como o Castelinho da Moellmann, da Casa das Louças e de outras dezenas de construções tombadas, vira coadjuvante em um mar de cores gritantes, sem harmonia e com elementos desordenados.
E isso é triste.
Continua depois da publicidade
Triste porque a XV de Novembro não é só uma rua e, sim, um cartão-postal, a nossa Apoteose nos meses de outubro com os desfiles e um símbolo de identidade local.
Chegou o momento em que a Rua XV de Novembro tem de ter uma legislação própria sobre os critérios de publicidade – muito além da lei em vigor, sancionada há quase 20 anos, e que não aborda o aspecto singular da via e, sim, o município como um todo. Cidades europeias, por exemplo, têm em centros históricos regras claras sobre zoneamento visual, limitação de tamanhos, tipografia, imposição de cores sóbrias e um cuidado para a valorização do patrimônio e da alma da localidade – alma essa que a XV não pode perder.
A história tem de ser um ativo ao comércio de rua, e não um obstáculo.

É óbvio que isso não quer dizer que a XV tem de ser estática, presa a um passado saudoso. Mas cuidar dela enquanto um grande patrimônio histórico pode ser importante ao próprio comércio, ao mantê-la como ativo turístico. Exemplos positivos como o da Flamingo, da Blubel, da Husadel e da própria Havan, no Castelinho, são as mostras de que é possível que o comércio se adapte à rua, e não o contrário. Essas lojas têm fachadas mais simples em que a edificação é a protagonista, não coadjuvante.
Continua depois da publicidade
A Rua XV merece ser tratada como um patrimônio. Permitir que o frenesi de cores continue a devorar a alma da via é um desserviço à história de Blumenau.

