A discussão sobre o uso indiscriminado de anabolizantes no Brasil ganhou ainda mais repercussão após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos. Nos últimos sete anos, a comercialização desses medicamentos cresceu mais de 700%. Com informações do g1.

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O influenciador foi encontrado morto, e o caso segue sob investigação da polícia. O laudo apontou uma doença cardíaca que pode ter seu quadro agravado pelo uso de anabolizantes. Em diferentes entrevistas, Gabriel chegou a admitir o consumo desse tipo de substância.

Quem era Gabriel Ganley?

Casos como esse não são inéditos no universo do fisiculturismo. Treinador e árbitro da modalidade, Bruno Masini relatou ao Fantástico, da TV Globo, que começou a utilizar esteroides anabolizantes com o objetivo de melhorar a aparência física.

As consequências, porém, podem ser severas.

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— Tive um infarto agudo do miocárdio, onde tive que correr para o hospital para fazer um cateterismo — afirma Masini.

A testosterona é um hormônio que possui indicação médica em situações específicas, como reposição hormonal e tratamento da perda de massa muscular causada por determinadas doenças.

O problema, segundo especialistas, está no uso sem indicação adequada. Bruno Leandro de Souza, conselheiro federal do Conselho Federal de Medicina (CFM), informa que, no último ano, foram registrados 15 processos relacionados ao tema. Questionado sobre o número aparentemente reduzido, ele explica:

— É pouco porque o grande número de informações e prescrições relacionadas a este problema não está partindo de médicos, está partindo do uso indevido, dos colegas mesmo de academia, de treino, de fisiculturismo. Na medicina, a gente conseguiu, com a resolução do CFM praticamente abolir ou diminuir muito a prescrição por médicos relacionados a este problema em relação a estas drogas.

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Apesar das restrições, a comercialização legal de testosterona — um dos hormônios mais utilizados como anabolizante bateu recorde no ano passado. Entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 20%. Em comparação com 2018, o aumento supera 700%.

A forma como Gabriel tornava público o uso dessas substâncias levanta um questionamento: de que maneira ele obtinha os hormônios? A resposta é que não existe uma forma legal para isso, já que apenas médicos podem prescrevê-los, e não para fins estéticos ou de desempenho esportivo. Essa prática foi proibida pelo CFM em 2023.

Na internet, entretanto, a realidade parece diferente. Com promessas de transformação física rápida, anúncios oferecem hormônios sem exigência de receita médica, com negociações feitas por mensagens e entrega de anabolizantes para todo o país.

A responsabilidade pela fiscalização desses produtos irregulares é das vigilâncias sanitárias e das forças policiais.

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Em nota, a Anvisa informou que a fiscalização é descentralizada e realizada em conjunto com as vigilâncias estaduais. O órgão também afirmou que monitora anúncios na internet, mas destacou que páginas retiradas do ar frequentemente reaparecem em novos endereços.

A Polícia Civil de São Paulo informou que, somente neste ano, mais de 11 mil produtos irregulares foram apreendidos e uma pessoa foi presa por falsificação e comercialização clandestina.

Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, a solução passa por uma atuação mais efetiva tanto da população quanto das autoridades. Clayton Macedo, diretor da entidade, avalia:

— Eu acredito que falta denúncia, falta fiscalização e principalmente falta punição, né? Porque a legislação prevê uma sequência de penalidades e essas penalidades são pequenas perto do lucro que esse mercado gera.

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