A rã-touro (Aquarana catesbeiana) continua mobilizando a população e as autoridades ambientais de Florianópolis. Considerada uma espécie exótica invasora e perigosa para anfíbios e peixes, a recomendação da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), após o início das operações de mapeamento do anfíbios na capital catarinense, segue sendo para que os moradores da cidade entrem em contato caso ouçam o som característico da espécie, parecido com um mugido de boi.
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A Prefeitura de Florianópolis afirmou que, em caso de avistamento ou identificação do som da espécie, os moradores, principalmente do bairro Ratones, onde a espécie foi identificada pela primeira vez na cidade, não realizem o manejo por conta própria da rã. A observação deve ser comunicada a Floram pelo e-mail fdepuc.floram@gmail.com ou pelo número (48) 3237-5660.
A espécie pode chegar a 20 centímetros e possui a coloração dorsal em tons de verde claro e oliva com manchas irregulares em verde escuro ou marrom. O ventre da rã é amarelo fraco, os olhos protuberantes e a membrana interdigital nos dedos das patas posteriores.
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Quais os perigos da rã-touro?
A rã-touro é considerada perigosa para anfíbios e peixes por ser associada à transmissão de patógenos como o fungo quitrídio, que causa a quitridiomicose quando se instala na pele dos anfíbios e interfere nas trocas gasosas feitas pelo órgão, podendo levar a paradas cardíacas, seguidas de óbito do animal. Essa doença já chegou a dizimar populações de anfíbios pelo mundo.
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Aos humanos e animais domésticos, segundo a Floram, a rã-touro não representa risco. A operação é conduzida pela Universidade Federal de Santa Catarina, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
— Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas, em parceria com as demais instituições e com a comunidade — destacou.
Espécie chegou ao Brasil em 1935
A Aquarana catesbeiana foi trazida ao Brasil pela primeira vez em 1935. Ela possui origem na América do Norte para a criação em ranários e o comércio de carne. A espécie foi alvo de solturas e escapes após a desativação desses locais, migrando para diferentes regiões do Brasil, como Florianópolis.
A rã-touro se reproduz rapidamente, se alimentando de peixes, anfíbios, répteis e mamíferos de pequeno porte. Segundo o presidente da Floram, Fábio Henrique Machado, o trabalho de monitoramento em Florianópolis tem por finalidade detectar a rã-touro de forma precoce para que as equipes possam agir rapidamente.
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O primeiro registro oficial da rã-touro em Florianópolis foi confirmado em outubro de 2025, em uma propriedade no bairro Ratones. Desde então, a presença da espécie foi confirmada em três propriedades e relatos de moradores indicam que ela pode estar há mais tempo no bairro.
Rã-touro produz som característico de “mugido”
Essa espécie possui um som característico que faz com a população possa identificá-la. Com uma vocalização grave, a rã-touro produz um som semelhante ao mugir de um boi, que dá origem ao nome popular do animal.
Ouça o som da rã-touro
Espécie invasora
A espécie está listada como Categoria 1 na Resolução CONSEMA nº 272/2025, que reúne a lista oficial de espécies da fauna exótica invasora em Santa Catarina, classificação que orienta o manejo da espécie no estado.
Ao todo, já foram capturados 11 espécimes, sendo 10 em novembro de 2025, e um em março de 2026. Os animais capturados foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC para análises, incluindo testagem para ranavírus e quitridiomicose.
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