A discussão sobre o fim da escala 6×1 já começa a provocar mudanças em alguns dos maiores empregadores do varejo brasileiro. Gigantes dos setores farmacêutico e supermercadista passaram a testar ou implementar a jornada 5×2, com dois dias de folga por semana, em um movimento que busca tornar as empresas mais atrativas para os trabalhadores e acompanhar as transformações do mercado de trabalho.

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Entre elas estão a RD Saúde, dona das redes Drogasil e Droga Raia, a Farmácias São João, maior rede farmacêutica da Região Sul, e o Grupo Koch, uma das maiores redes supermercadistas de Santa Catarina.

Embora cada empresa esteja em um estágio diferente da mudança, todas afirmam que a adoção da nova escala ocorre de forma gradual e com foco em avaliar os impactos sobre a operação, produtividade e retenção de profissionais.

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RD Saúde adotou modelo em mais de 3,5 mil lojas

A RD Saúde foi a empresa que avançou mais rapidamente na mudança. A companhia implementou oficialmente a escala 5×2 em mais de 3,5 mil lojas espalhadas pelo país. A transição começou de forma gradual no segundo semestre de 2025 e foi motivada, principalmente, pela necessidade de reduzir a rotatividade em um mercado cada vez mais competitivo.

Apesar da mudança na distribuição da jornada, os funcionários continuam cumprindo 44 horas semanais, sem aumento de custos para a operação, segundo a empresa.

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Antônio Carlos Pipponzi, presidente do conselho consultivo do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e conselheiro da RD Saúde, afirma que a medida acompanha uma tendência internacional.

— Para posições como farmacêuticos e gerentes, a escala de 5×2 se adapta muito bem. É uma tendência, uma evolução de mercado — afirma.

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Farmácias São João testa adaptação em parte das lojas

A Farmácias São João, maior rede farmacêutica do Rio Grande do Sul e uma das maiores do Sul do país, também iniciou testes com a escala 5×2. Desde maio, algumas unidades passaram a operar com o novo formato, que ainda está em fase experimental.

Com mais de mil lojas e cerca de 25 mil colaboradores, a empresa pretende avaliar tanto os impactos operacionais quanto a percepção dos funcionários antes de ampliar a iniciativa.

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Segundo o presidente da rede, Pedro Henrique Brair, o objetivo é preparar a empresa para uma possível mudança mais ampla nas relações de trabalho.

— Para não sermos surpreendidos, em algumas lojas nós já estamos com a 5×2. Até para sentir como nos adaptamos e como os colaboradores se adaptam — afirmou ao portal g1.

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Brair reconhece que a alteração pode gerar impactos significativos na operação, mas avalia que o setor empresarial já começou a buscar formas de se ajustar ao novo cenário:

— A gente está exercitando e vendo, juntamente com os colaboradores e com o RH, como está ocorrendo. Se os colaboradores estão se sentindo melhor, e nós também.

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Grupo Koch faz projeto-piloto em Santa Catarina

No setor supermercadista, o Grupo Koch também passou a testar um novo modelo de jornada. A rede catarinense implantou a escala 5×2 em caráter piloto na nova unidade de São Bento do Sul e na loja de Pomerode. Segundo a empresa, o objetivo é analisar a viabilidade operacional do formato, além de medir os impactos sobre a rotina das equipes e a qualidade do atendimento aos clientes.

No modelo adotado, os colaboradores trabalham cinco dias por semana, com aproximadamente 40 horas semanais, sem redução salarial. Em nota ao NSC Total, o Grupo Koch informou que, por enquanto, a experiência está restrita as duas unidades e não há previsão de expansão para as demais lojas.

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“A implantação da escala 5×2 de 40 horas semanais sem redução salarial refere-se exclusivamente à nova unidade de São Bento do Sul e à loja de Pomerode. A medida foi adotada em caráter piloto, com o objetivo de avaliar o cenário operacional, a aderência do modelo à dinâmica da loja e os impactos na rotina das equipes e do atendimento. No momento, não há estimativa de implementação da escala em outras unidades”, diz o comunicado.

Entenda o fim da escala 6×1

As mudanças adotadas pelas empresas ocorrem em meio à discussão no Congresso Nacional sobre o fim da escala 6×1 — modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso. A proposta busca incentivar jornadas como a 5×2, com dois dias de folga por semana, sob o argumento de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzir o adoecimento físico e mental e aumentar a produtividade.

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Apresentada por parlamentares da base governista e apoiada por movimentos sindicais e entidades de trabalhadores, a proposta enfrenta resistência de representantes do setor empresarial, que alegam aumento de custos, necessidade de novas contratações e dificuldades operacionais, principalmente em segmentos como o comércio e a indústria.

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