Um médico ginecologista foi preso em Goiás sob suspeita de cometer estupro de vulnerável contra ao menos 23 pacientes durante atendimentos médicos, entre elas mulheres grávidas e jovens. A prisão preventiva de Marcelo Arantes e Silva foi mantida pela Justiça nesta sexta-feira (24), após audiência de custódia, um dia depois da detenção realizada em Goiânia.
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De acordo com a Polícia Civil, o médico é investigado por uma série de abusos cometidos em consultórios e clínicas particulares na capital goiana e em Senador Canedo, na região metropolitana. Até agora, 10 possíveis vítimas em Goiânia e 13 em Senador Canedo foram identificadas. Em pelo menos um dos casos, o Ministério Público já apresentou denúncia formal à Justiça.
Marcelo Arantes permaneceu em silêncio durante depoimento e está detido no presídio de Senador Canedo. A defesa afirma que a prisão é desnecessária, sustenta a inocência do médico e diz que irá recorrer da decisão. Os advogados também alegam que ele se afastou das atividades profissionais e tem colaborado com as investigações.
Investigações apontam padrão de abuso e manipulação
A polícia aponta que o primeiro caso conhecido ocorreu em 2017, em Senador Canedo. Em 2020, houve nova denúncia em Goiânia e, entre 2025 e 2026, ao menos três novas vítimas formalizaram queixas semelhantes. A delegada Amanda Menuci, responsável pelo caso, acredita que o número de vítimas pode ser maior. Por esse motivo, a Justiça autorizou a divulgação do nome e da imagem do médico na tentativa de encorajar outras possíveis vítimas a procurarem as autoridades.
Segundo a polícia, novas denúncias surgiram recentemente e foram fundamentais para embasar o pedido de prisão preventiva. De acordo com a corporação, o ginecologista adotava um padrão de comportamento para ganhar a confiança das pacientes, começando com atendimentos cordiais e evoluindo para toques inadequados e perguntas invasivas.
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Os relatos indicam que ele realizava exames sem luvas, fazia questionamentos de cunho sexual e ultrapassava os limites do procedimento médico. “É um verdadeiro predador sexual que faz do ambiente clínico um local de vulnerabilização das vítimas, se aproveitando da autoridade médica que exerce sobre elas”, afirmou a delegada.
A tipificação dos crimes como estupro de vulnerável se baseia na condição de fragilidade física e psicológica das pacientes durante as consultas, segundo os investigadores.
Registro profissional suspenso
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que o registro profissional de Marcelo Arantes foi suspenso por decisão judicial. O órgão destacou que denúncias sobre conduta ética são apuradas sob sigilo, mas que solicitou esclarecimentos ao responsável técnico pelas unidades citadas nas investigações.
A polícia justificou a prisão preventiva pela reincidência das denúncias e pela necessidade de interromper a atuação do investigado. O prazo da prisão é indeterminado, e os inquéritos seguem em andamento.
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Nota da defesa de Marcelo Arantes Silva
A defesa do Dr. Marcelo Arantes Silva entende como desnecessário o deferimento do pedido de prisão. Primeiramente, porque tem plena confiança em sua inocência. Em segundo lugar, porque ele já se afastou do exercício da profissão e tem contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação.
Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos.
Rodrigo Lustosa, Nara Fernandes e Frederico Machado
Advogados de defesa

